Pressão e “alfinetadas” de aliados a Alcolumbre preocupam PT e governo


Brasil

Líderes tentam conter danos após críticas de PT a Alcolumbre que chamou o presidente do Senado de inimigo

Resumo: a relação entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ficou tensa após o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, dizer que Alcolumbre seria considerado um “inimigo” se não avançasse a PEC que encerra a escala 6×1. O governo Lula busca retomar o diálogo, enquanto a proposta segue parada na pauta do Senado.

A declaração de Uczai provocou desconforto no Planalto, que avaliou a fala como desimportante para as bancadas petista e governista. Ministros ressaltaram que a provocação é nociva às negociações com o parlamentar amapaense e atrapalha acordos em torno de pautas prioritárias.

A PEC, apontada como uma das principais bandeiras do terceiro mandato de Lula, foi aprovada pela Câmara em maio, mas ainda não saiu do gabinete de Alcolumbre para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) no Senado. A iniciativa visa alterar a escala de trabalho 6×1, considerado tema sensível para o governo e para os trabalhadores.


Como chegou à crise: Alcolumbre foi um dos principais aliados do governo no início do mandato, apoiando nomeações como Waldez Góes para o Desenvolvimento Regional e, mais recentemente, Frederico Siqueira para as Comunicações. A relação começou a azedar após a recusa de Messias para o STF, com Alcolumbre defendendo outro caminho, o que gerou atrito que se estendeu até a rejeição da nomeação em abril, marcando a primeira derrota histórica de um indicado ao STF em 132 anos.

A tensão envolve ainda a condução de indicarções para agências reguladoras e a análise de vetos. Parlamentares do PT apontam que o tom “histórico” de Uczai e de aliados dificulta o diálogo — especialmente em um momento em que o Planalto tenta abrir espaço para avanços de pautas negociadas.

Recentemente, Alcolumbre se reuniu com lideranças sindicais para tratar da PEC, recebendo sinalização de que a estratégia deve priorizar a negociação, não o confronto. Dois sindicalistas teriam destacado a importância de manter o diálogo com o senador, evitando atrito desnecessário.

Para além disso, a nova liderança do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), e o líder do PT na Casa, Camilo Santana (PT-CE), trabalham para reacender o diálogo com o Planalto, reduzindo tensões entre Executivo e a cúpula do Congresso. A ideia é que a pauta retorne ao centro das discussões sem atritos desnecessários.

Ainda sem cronograma definido, a tramitação da PEC 6×1 depende de alinhamento entre Planalto e Senado. Alcolumbre afirmou que a pauta é prerrogativa da Presidência e não deverá sofrer pressão externa. Em conversas reservadas, ele também criticou a pressão vinda das redes sociais para acelerar a votação.

Se o caminho se mantém incerto, a expectativa é de que a reunião entre Alcolumbre e Lula eventualmente aconteça, com a nova liderança do governo buscando canais de interlocução mais fortes para reduzir atritos e manter a agenda de reformas em andamento.

E você, acredita que o diálogo entre Executivo e Legislativo pode contornar as tensões em torno da PEC 6×1, ou prefere novas estratégias? Comente abaixo sua opinião sobre o papel do Senado e as escolhas do governo para 2026.

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