Equipe econômica do governo adia decisão sobre corte do benefício na gasolina diante do risco de alta do petróleo e pressões sobre inflação

A equipe econômica adiou a decisão sobre manter ou retirar o subsídio à gasolina, diante de um cenário externo instável que pode pressionar o petróleo ainda nas próximas semanas. O componente interno, ligado à inflação, também é levado em conta pela pasta.
O ministro da Fazenda, Dário Durigan, resumiu a avaliação: o petróleo segue volátil e o risco de novas oscilações no mercado internacional exige cautela para não piorar a inflação.
“Eu tinha a expectativa, sim, de tirar a subvenção da gasolina em um prazo mais curto. Mas de novo, a situação da guerra se agrava, no que a gente ouviu foi uma declaração do presidente dos Estados Unidos dizendo que o cessar-fogo estava encerrado e que o acordo de paz já não seria mais executado nos termos e que estava sendo planejado. O que nos acende o sinal de alerta”, explicou.
A discussão ocorre em meio à tentativa do governo de reduzir o custo fiscal das medidas emergenciais adotadas para conter a alta dos combustíveis.
A política de subsídios a combustíveis foi criada para amortecer choques externos, mas é temporária e depende do comportamento do mercado mundial.
Entenda a nova crise entre Irã e EUA
- O presidente americano informou o fim de acordo após nova escalada e bombardeio de navios no Estreito de Ormuz;
- O republicano afirmou que o entendimento perdeu sentido diante das “hostilidades recentes”;
- O Irã acusa os EUA de violar termos do acordo de paz, citando ataques e pressões contínuas;
- As negociações já estavam fragilizadas, com o Irã sinalizando que não dialogaria sob pressão militar;
- O clima de tensão geopolítica aumenta a incerteza nos mercados globais.
Medidas para conter os preços dos combustíveis
As ações do governo visam reduzir impactos da alta internacional dos combustíveis. O petróleo em alta elevou o custo final nas bombas, levando o país a adotar subsídios e cortes de impostos para evitar repasses imediatos ao consumidor.
No caso da gasolina, o subsídio chegou a cerca de R$ 0,44 por litro. O benefício é visto como temporário, condicionado ao comportamento do mercado internacional.
Medidas já anunciadas incluem:Subvenção ao diesel; Isenção de impostos federais sobre o biodiesel; Subvenção ao gás de cozinha; Subvenção ao querosene de aviação (QAV); Subvenção para a gasolina.
A atual incerteza está ligada ao risco de nova escalada no Oriente Médio, que pode manter a volatilidade do barril. A equipe econômica entende que o ideal é encerrar gradualmente os subsídios, desde que o petróleo se estabilize em patamares mais baixos. A desmontagem parcial de medidas emergenciais já começou, como a suspensão da subvenção ao diesel.
Relação com o Congresso Nacional
No Congresso, a Medida Provisória que autoriza subsídios aos combustíveis foi prorrogada por mais 60 dias, sinalizando a ausência de consenso sobre a melhor saída. O presidente da Câmara, Hugo Motta, informou que os líderes levarão a voto um projeto que cria um mecanismo de compensação pela perda de arrecadação com a redução de impostos.
O PLP enviado pelo governo visava permitir o uso de receitas extraordinárias com petróleo para compensar subsídios, mas o texto sofreu alterações ao longo do caminho. A leitura é de que a estratégia será gradual, com decisões calibradas semanalmente, já que as incertezas geopolíticas dificultam abrir mão dos mecanismos de proteção aos preços.
Comente abaixo: você acha que vale manter, retire ou ajuste gradualmente os subsídios aos combustíveis? Como isso pode impactar o bolso do consumidor e a inflação nos próximos meses?
