“Hobbits” pré-históricos podem não ter caçado nem usado fogo

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Nova pesquisa publicada na Science Advances volta a temperar a imagem do Homo floresiensis, o conhecido hobbit. Os autores defendem que essa espécie não caçava grandes presas nem dominava o uso do fogo. O estudo, com foco em fósseis de Stegodon florensis insularis encontrados em Liang Bua, na ilha de Flores (Indonésia), sugere que dragões-de-komodo tinham acesso às carcaças primeiro, e os hominíneos apareciam depois para aproveitar o que restava.

Ao analisar os ossos, os pesquisadores contaram marcas de consumo: 54 marcas de corte atribuídas a ferramentas de pedra do Homo floresiensis, comparadas a um número próximo do dobro de marcas deixadas pelos dentes dos dragões-de-komodo. Além disso, as marcas humanas ficaram principalmente em áreas com pouca carne, sugerindo que os hominíneos atuavam após o predador ter avançado sobre a carcaça.

foto de um dragão de komodo com a língua para fora
Pesquisadores realizaram experimento com dragão-de-komodo vivo para diferenciar marcas deixadas por ferramentas de pedra das produzidas pelos dentes do animal – Imagem: Goinyk Production / Shutterstock

Como parte da comparação, os cientistas conduziram um experimento com um dragão-de-komodo vivo. Alimentado com a carcaça de uma cabra, o réptil deixou marcas que foram documentadas com cuidado, ajudando a diferenciar padrões de roubo de carne de dentes de predador dos traços deixados por instrumentos de pedra nos fósseis de Stegodon.

Outro ponto-chave foi a ausência de evidência de cozimento. Além de não haver sinais de queima em mais de 4 mil ossos de camundongos no sítio, o estudo aponta que manchas interpretadas como carbonização podem, na verdade, ser simples manchas de manganês. Esse conjunto de dados reforça a hipótese de que o Homo floresiensis consumia carne crua e não dominava o uso controlado do fogo.

Sobre a origem da espécie, os autores levantam que talvez o ancestral do Homo floresiensis tenha se separado do gênero Homo antes de essas capacidades surgirem. A hipótese do nanismo insular, já discutida, também entra em jogo, assim como a possibilidade de descendência de uma forma anterior do gênero. Veatch ressalta que o comportamento precisa ser considerado para entender a evolução, enquanto Brumm aponta que, se houve relação com o Homo erectus na ilha, adaptações comportamentais — como menor dependência de caça e do fogo — podem ter ocorrido.

Em resumo, o estudo altera a leitura sobre a sofisticação do hobbit, colocando o foco no consumo de restos e na possível ausência de domínio do fogo. E você, qual é sua leitura sobre a origem do Homo floresiensis? Compartilhe sua opinião nos comentários e vamos debater o tema.

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