Douglas Silva de Oliveira, 25 anos, que teria comprado a Naskar após o calote milionário, aparece em meio à jogatina apostando altos valores

Passados mais de dois meses após a fintech Naskar Gestão de Ativos Ltda. fechar as portas, os prejuízos chegam a quase R$ 900 milhões. Em meio às imagens publicadas nas redes sociais, surge o que parece ser o novo dono da empresa em uma jogatina de poker, enquanto investidores aguardam a restituição prometida.
Nas imagens, está Douglas Silva de Oliveira, 25 anos, apontado como proprietário da gestora norte?americana Azara Capital, que, segundo a versão apresentada, comprou a Naskar por R$ 1,2 bilhão, em meio a outras pessoas apostando altas quantias.
Em determinado momento, Douglas é filmado conversando sobre os valores apostados no jogo.
“Estamos com 85 mil no ‘pot’, foram dois ‘pots’ seguidos, acho que a gente tá nos 100 mil, mais ou menos”, disse o investidor — não é possível confirmar qual a moeda citada.
Dois clientes lesados relatam a sensação de desamparo. “Ele fez um vídeo dizendo que nos pagaria. Isso gerou esperança, mas depois sumiu e hoje aparece jogando poker”, relatou um investidor que tinha R$ 150 mil aplicados.
Após a compra, Douglas se responsabilizou por ressarcir os clientes. Contudo, na terça-feira (7/7), a assessoria dele afirmou apenas que “não existe previsão” de início dos pagamentos. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) informou que o caso segue em investigação.
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Um perfil com o título Vítimas da Naskar Gestão de Ativos foi criado nas redes sociais para unir os investidores lesados, segundo a descrição da página. O Metrópoles tentou contato, sem retorno até o fechamento desta edição.
Relembre o caso
- A Naskar Gestão de Ativos, fintech com 13 anos de atuação, captava recursos prometendo 2% de rendimento mensal; o retorno prometido superava o praticado por bancos tradicionais;
- Investidores recebiam promessas de pagamentos proporcionais a investimentos de até R$ 1 milhão, com rendimentos que poderiam chegar a R$ 20 mil mensais;
- Durante anos, a empresa operou sem registrar problemas, até que o pagamento previsto para 4 de maio não ocorreu;
- Desvios levaram investidores a buscar respostas com os sócios — Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato (Maurício Jahu) — que não teriam respondido; o aplicativo da Naskar saiu do ar em 6 de maio;
- A empresa mudou de sede, deixando o DF e trocando o endereço fixo por um em São Paulo, sem comunicação aos clientes;
- A Naskar então anunciou a aquisição pela Azara Capital por R$ 1,2 bilhão, com promessa de ressarcimento a partir de 18 de maio — algo que não se materializou;
- A Azara apresentou inconsistências: site sem nomes de dirigentes, endereço em Miami que remete ao Ocean Bank, e perfil no Instagram criado há apenas três meses;
- Até o momento, não há confirmação de quando (ou se) os valores serão devolvidos aos investidores.
Primeiro pronunciamento
O próprio Douglas Silva de Oliveira, dono da gestora norte?americana, chegou a falar sobre o caso quase um mês após a repercussão. Ele afirmou que todos os valores devidos seriam pagos, afirmando ainda que, nos primeiros dias de gestão, seria criada uma via para iniciar os repasses. “Acreditamos que, no máximo em 20 ou 30 dias, teremos o levantamento de todos os clientes devidos feito. A partir disso, vamos montar a estrutura e realizar os pagamentos”, garantiu.
À época, a assessoria de Douglas disse que o funcionamento do canal de pagamentos seria divulgado, mas não houve retorno definitivo. O Metrópoles manteve o espaço aberto para esclarecimentos.
