Política tarifária dos Estados Unidos contra o Brasil é marcada por reviravoltas, mas governo vê poucas chances de revogações rápidas
Resumo: a disputa tarifária entre os EUA e o Brasil continua em movimento, com anúncios, negociações diplomáticas e decisões judiciais que afetam setores estratégicos nacionais. Enquanto o governo Lula busca reverter as taxas, novas medidas podem surgir, mantendo a volatilidade no comércio entre os dois países.
Em julho de 2025, Donald Trump anunciou uma sobretaxa de 40% sobre importações brasileiras, elevando para 50% o total de tarifas já cobradas — incluindo os 10% anteriores do Dia da Liberdade de Trump. A justificativa combine ataques a eleições livres no Brasil com o julgamento de figuras políticas associadas ao governo anterior, ampliando o âmbito político da disputa.

No mapa de negociações, o Brasil tentou abrir caminho para o fim das sobretaxas. Em outubro de 2025, Lula e Trump se encontraram na Malásia para discutir uma revisão das tarifas. Em novembro, houve avanços com isenções parciais para alguns produtos. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte suspendeu temporariamente o conjunto de tarifas de 40%, citando a necessidade de respaldo legal, e, no mesmo dia, Trump anunciou uma nova linha de tarifas de 10% para outros países impactados.
Investigações e propostas Em 15 de julho de 2025, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) abriu uma investigação sob a Seção 301 contra o Brasil. Em junho de 2026, após concluir o rito da apuração, o órgão recomendou a aplicação de 25% de tarifas sobre uma lista de produtos brasileiros. A medida chamou a atenção de setores industriais e comerciais no Brasil, que buscaram reverter as taxas por meio de diálogo com Washington.
A reação dos EUA não ficou restrita ao Brasil: dias após a proposta de 25%, o USTR anunciou tarifas a cerca de 60 países, com uma taxa base de 12,5% para várias nações. A leitura do governo brasileiro é de que as ações reforçam uma visão política predominante na estratégia externa norte?americana, que transcende meros cálculos econômicos.
Teor político para membros do governo brasileiro, as ações sob a Seção 301 têm peso político significativo. O Brasil questionou a condução das negociações, apontando que a Casa Branca manteve interlocução estreita com a família Bolsonaro, o que acabou associando as tarifas a fatores ideológicos. A gestão Lula tenta separar as decisões técnicas de pressões de bastidores, mas reconhece que o componente político é determinante na relação bilateral.
O cenário continua incerto: o Brasil intensifica negociações para reverter as tarifas, enquanto o ambiente internacional testemunha reajustes e novas propostas. A tendência é de que as próximas semanas sejam decisivas para definir se as taxas de 25% e os próximos desdobramentos terão respaldo institucional estável ou se haverá novos reajustes na política comercial.
E você, como enxerga esse conflito tarifário entre Brasil e EUA? Deixe seu comentário com sua opinião sobre o papel da política externa, das negociações e do impacto econômico para produtores, consumidores e empregos no Brasil.
