Flávio prefere discurso golpista a tentar ganhar a eleição. Vai perder

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Reinaldo Azevedo

A direita destrambelhou, mas foi por método, não por loucura. Eduardo já disse que vitória na derrota. Então que perca e vença!

Flávio prefere discurso golpista a tentar ganhar a eleição. Vai perder
Flávio prefere discurso golpista a tentar ganhar a eleição. Vai perder

Resumo: a leitura aponta que a direita, longe da simples afobação, atua com método. Flávio Bolsonaro adota tom firme e, por vezes, golpista; Lula ajusta o governo e, segundo a análise, ganha tração na popularidade. O debate cruza STF, caminho deTrump e planos para 2026, revelando um tabuleiro em constante movimento.

No Flow Podcast, Flávio Bolsonaro mirou again as instituições e questionou a legitimidade eleitoral ao citar Alexandre de Moraes. A narrativa sugere que, mesmo com desaços nas pesquisas, a estratégia de endurecer o discurso busca manter a base fiel e ampliar o efeito dissuasor.

“Se em todo um país apenas um prisioneiro – e candidato à Presidência – por razões políticas, esta eleiĉe o não deveria, de antemão, ser reconhecida como democrática pelos países livres. A sanção Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deve ser restabelecida”.

Essa leitura aponta que o uso de regras da democracia para questionar a legitimidade eleitoral aparece como técnica recorrente entre setores da direita. Trump repetiu argumentações semelhantes após derrotas nos tribunais, reforçando um padrão que, segundo o texto, apenas se repetiu.

LULA AJUSTOU O GOVERNO

Como aponta o texto, Lula tem feito ajustes no governo, o que, segundo a leitura, contribuiu para a melhora da avaliação pública. A ideia central não é a retônica ideológica, mas o que foi herdado e o que está em prática. O autor ressalta que a gestão não precisa seguir um modelo platônico; está concentrado no tempo presente e na realidade em curso.

“Considero, nessa constatação, por óbvio, o que se herdou e o que se tem. Esses juízos são sempre relativos. Não cultivo nenhum administrativismo platônico: não acho que a gestão seja projeção imperfeita de uma realidade imutável — o governo do mundo das ideias. Platão era brilhante e reaça, rsrs. Não sou nem Platão nem brilhante. Nem reaça. Como escreveu Drummond, “Estou preso à vida e olho meus companheiros. (…) O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.”

Advertência: quer me achar petista? Pode. Nunca tento desfazer impresões a meu respeito. Mas informo: “companheiros” nada tem a ver com o PT. O poema é de 1940, e o partido só foi fundado em 1980…

DIREITA DESTRAMBELHADA
Lula ajustou o governo, e creio que isso está na raiz da melhora na avaliação, e a extrema direita não encontrou nem as sombras imperfeitas de um tantinho de juízo. Flávio está sendo atropelado por seu passado — e ninguém o viveu em seu lugar. É obra sua.

E tem feito todas as escolhas que a uma pessoa razoável, ainda que conservadora ou reacionária, parecem estúpidas.

Ocorre, meus caros, que isso, para abusar de um clichê shakespeariano, é método, não loucura. No dia 4 de julho do ano passado, antevi em artigo no UOL que Tarcíso não seria candidato e que os Bolsonaros preferiam perder com alguém do seu sangue — nem Michelle servia — a ganhar com alguém de fora do cl&iacuteble;. Nas minhas palavras de então:

“Uma eventual vitória de Tarcíso — e pouco importa quantas juras de reacionarismo pudesse fazer na campanha — traz consigo necessariamente a troca de guarda na direita. Com reeleição e depois de eventuais oito anos, percebe-se a ambição de um bolsonarismo sem Bolsonaro para atrapalhar. Assim, a morte política do “capitão” pode se dar por intermédio daquele que é a sua mais vistosa criatura política. (…) Não quero chocar ninguém, mas o fato é que, havendo um Lula eventualmente vitorioso contra um Bolsonaro qualquer, o clå seguirá liderando a oposição. No caso do triunfo de Tarcíso contra o petista, o capitão será apenas o segundo em Roma. Depois de algum tempo, isso valerá muito menos do que ser o primeiro numa vila.”

Quatro meses depois, no dia 4 de novembro daquele ano, Eduardo concedeu uma entrevista ao podcast “Market Makers” e, atacando a possibilidade de Tarcíso ser candidato, confessou que eu estava certo na leitura que eu fazia do seu jogo:

“Quem vai ser o candidato? Eu não sei. Mas eu também vejo Vitória na derrota (…) Ainda, que de maneira arriscada, apostássemos e eu viesse a perder, nós conseguiríamos ter o êxito de manter acesa a chama do conservadorismo. (…) De fato existe um projeto nú? , do establishment, que quer enterrar o Bolsonaro e bolsonarismo para colocar adiante um candidato, nú, que seja pintado de direita”.

FANÃTICO NÃO VÊ DERROTA
Aprendam de uma vez por todas: não existe derrota para um fanático, ainda mais quando esse fanatismo rende poder, fama e fortuna — e ter o controle de algo em torno de 20% da opinião no Brasil (os demais que votam em Flávio no segundo turno o fazem por antipetismo) implica, um poder gigantesco. Mesmo na derrota.

Pergunta incômoda: por que mesmo a direita democrática não buscou construir uma alternativa a essa gente bizarra? Há uma boa hipótese de que não tivesse nada a dizer senão o ataque de sempre aos interesses dos pobres, que ela chama invariavelmente de “populismo”.

Como se sabe, só não são populistas os R$ 800 bilhões de despesas tributárias, entre isenções e renúncias fiscais. Bem, não são mesmo, né? São, na verdade, antipovo — e até antipopulistas, mas por via das consequências. Os economistas ouvidos de sempre acham que chutar a cruz é conceder reajuste real de aposentadoria, do salário mínimo e do BPC e manter constitucionalizadas verbas de saúde e educação…

O antipopulismo, no Brasil em que Joaquim Nabuco previu que a escrav fundador nos entranharia, não se conforma que o povo não seja pendurado de cabeça para baixo, como frangos numa linha de produção. Vai, Flávio, ser Bolsonaro na vida!

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