O reconhecimento do Tabaco Mata Fina e dos Charutos Artesanais do Recôncavo Baiano como Denominação de Origem (DO) avançou para a fase final, antes do protocolo do pedido ao INPI. Nesta semana, produtores, empresários e representantes da cadeia produtiva reuniram-se para conhecer os signos e a identidade institucional que identificarão os produtos certificados após a concessão do registro. A apresentação ocorreu no Palacete Tira-Chapéu, em Salvador.
O movimento é o desdobramento do projeto promovido pela Associação dos Produtores de Charutos Artesanais do Brasil (Apcab), em parceria com a consultoria Inovates. Nos próximos meses, deverá ser concluída a documentação técnica que embasará o pedido de reconhecimento ao INPI.
De acordo com os organizadores, os signos representam mais do que uma identidade visual: simbolizam o reconhecimento da relação entre o território do Recôncavo Baiano, as características naturais, o saber acumulado por gerações de produtores e a qualidade do Tabaco Mata Fina e dos charutos artesanais produzidos na região.
“Estamos construindo um reconhecimento que pertence ao território e às pessoas que preservaram essa tradição ao longo de gerações. A Denominação de Origem representa proteção, valorização e novas oportunidades para toda a cadeia produtiva dos charutos e do tabaco do Recôncavo Baiano”, afirmou o presidente da Apcab, Lorenzo Orsi.
Criada em 2023, a associação reúne os quatro principais fabricantes brasileiros de charutos premium produzidos artesanalmente, responsáveis por cerca de 85% da produção nacional do segmento. Além de Lorenzo Orsi, integram a diretoria o vice-presidente José Henrique Barreto (presidente da Menendez Amerino) e José Antônio Martins Monteiro, fundador da JAMM Cigar.
De acordo com a entidade, a Denominação de Origem é um dos mais importantes instrumentos de certificação da procedência e da qualidade de um produto. O reconhecimento protege juridicamente o nome da região, agrega valor à produção, fortalece a identidade territorial e amplia a competitividade nos mercados nacional e internacional.
Para o diretor da Apcab, José Antônio Martins Monteiro, a certificação também contribui para a preservação da tradição regional. “O reconhecimento preserva um patrimônio construido por muitas gerações. Estamos falando de uma atividade que faz parte da identidade do Recôncavo Baiano e que agora ganha instrumentos para ser protegida e valorizada dentro e fora do Brasil”, afirmou.
A equipe técnica da Inovates detalha que o projeto, neste momento, concentra esforços na conclusão dos estudos exigidos pelo INPI. Entre os documentos em pauta estão a delimitação oficial da área geográfica, a caracterização dos fatores naturais e humanos que diferenciam a produção regional, bem como a definição dos mecanismos de rastreabilidade, controle e qualidade que regulamentarão o uso das futuras Denominações de Origem.
O cultivo do Tabaco Mata Fina e a fabricação artesanal de charutos integram a história do Recôncavo baiano há mais de 200 anos, com municípios como Cruz das Almas, Cachoeira, São Félix, Muritiba, Governador Mangabeira e Conceição da Feira contribuindo para uma tradição reconhecida pela qualidade das folhas e pela habilidade dos mestres charuteiros. Quando o registro for concedido pelo INPI, apenas os produtos fabricados dentro da área delimitada poderão ostentar o selo de Denominação de Origem.
