O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na convenção que oficializou a candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo, evento que reuniu Haddad e aliados da chapa majoritária e ocorreu em meio ao ritmo acelerado da disputa eleitoral, a poucos meses do pleito de outubro.
O chefe do Planalto afirmou que o país é soberano e quem tentar influenciar o processo eleitoral brasileiro “vai apanhar muito”.
“Que não venha ninguém de fora querer meter o dedo nas nossas eleições. Eu não sou de fazer bravata, eu não gosto de dizer o que eu não posso fazer, mas vou dizer para vocês uma coisa que eu trago do berço, uma coisa aprendida com uma mãe analfabeta: andar de cabeça erguida, ter vergonha e caráter…”, disse o petista, ao enfatizar que caráter e dignidade são valores que não se aprendem no Shopping ou no Mercado Livre.
A fala de Lula ocorreu pouco depois do governo brasileiro negar o visto a uma delegação norte-americana formada por Riley M. Barnes, secretário de Estado adjunto para Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), e Samuel D. Samson, subsecretário adjunto do DRL. Os representantes do Departamento de Estado pretendiam discutir questões ligadas à liberdade de expressão e ao processo eleitoral no Brasil.
A decisão de restringir a entrada da comitiva ocorreu em meio a preocupações com declarações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, que questionaram o funcionamento das urnas eletrônicas com base em informações não verificadas, em um momento de tensão sobre o sistema eleitoral brasileiro.
Veja como foi a convenção de Haddad:
Durante o encontro, Lula destacou a trajetória de Haddad e ressaltou o papel de aliados na composição da chapa majoritária. O presidente também elogiou o pré-candidato a vice, Márcio França (PSB), além das ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede), candidatas ao Senado, afirmando que “nenhum de nós tem vergonha do que fez na vida”.
A fala de Lula reforçou a defesa de que a eleição pertence aos brasileiros e que não haverá espaço para interferência externa na democracia do país, em meio a um contexto de acirrada disputa política e de debates sobre o uso de inteligência artificial na corrida eleitoral.
