Após ataques dos houthis e o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb aos navios da Arábia Saudita, o preço do petróleo Brent subiu cerca de 6% no início da tarde desta quinta-feira, atingindo US$ 101 por barril.
A escalada no Oriente Médio agrava a dinâmica do comércio global de combustíveis, com a passagem de cerca de 10% do petróleo mundial pelo Mar Vermelho, Bab el-Mandeb e áreas adjacentes, conforme a AIE (Agência Internacional de Energia).
A alta ocorre em meio a cinco meses de redução de oferta desde a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, interrompendo 20% do comércio marítimo de combustíveis.
Dados mostram que, após o memorando de entendimento entre Irã e EUA em 17 de junho, o preço caiu para US$ 70 no dia 1º de julho — o menor nível desde o início da guerra — e, desde então, o Brent subiu cerca de 42%.
A analista Ticiana Álvares, diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), disse à Agência Brasil que o fechamento de Bab el-Mandeb tem impacto “bem relevante”.
“A alternativa da Arábia Saudita para escoamento do petróleo, com as restrições do Estreito de Ormuz, vinha sendo via oleoduto até o Mar Vermelho. Com o fechamento de Bab el-Mandeb, isso não é mais possível”, afirmou Álvares.
O diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (GSEC), Rodolfo Queiroz Laterza, destacou que a Arábia Saudita deve ter perdas econômicas substanciais, o que pode agravar cadeias logísticas globais e afetar economias dependentes de petróleo e derivados.
“Isso vai agravar as cadeias logísticas de abastecimento no mundo e impactar inúmeras economias, principalmente aquelas que dependem da importação de petróleo”, comentou Laterza.
O professor Danny Zahreddine, da PUC Minas, vê a guerra entre Irã e EUA entrando em uma nova etapa com o fechamento de Bab el-Mandeb, ressaltando que o estreito encurta rotas entre Europa e EUA e aumenta o choque sobre a distribuição do petróleo.
“Nós estamos vivendo um impasse… o estreito de Bab el-Mandeb, com seu fechamento, tende a gerar um choque ainda maior na distribuição do petróleo”, afirmou Zahreddine, destacando a relação entre Houthis e Irã, enquanto a Arábia Saudita permanece aliada dos EUA.
Estima-se que cerca de 10% do comércio marítimo de petróleo passe pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Mar Vermelho, reforçando o potencial impacto nos preços globais.
