Especialistas afirmam que não é possível associar ventanias ao El Niño

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Fortes ventos provocaram estragos e mortes nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo na tarde desta quarta-feira (29). Uma estação meteorológica da capital fluminense chegou a registrar ventos de 105 km/h.

Segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o episódio foi provocado pela formação de uma zona de baixa pressão na região, associada ao deslocamento do ar nas camadas superiores da atmosfera, o que gerou instabilidade e rajadas intensas.

“A conjunção desses fatores auxiliou realmente na formação dessa instabilidade, que trouxe essas rajadas bem intensas. Inclusive, tivemos rajadas em torno de 100 km/h em ambos os estados”, explicou a meteorologista.

O coordenador geral de Operações e Modelagem do Cemaden, Marcelo Seluchi, destaca que as rajadas de vento se formaram a partir de uma linha de estabilidade.

“É uma linha de tempestades alinhadas, como o nome indica, uma ao lado da outra, que se formaram sobre uma frente fria que estava na Região Sul do Brasil. Essa linha de tempestades formou o que se chama uma frente de rajada, que foi a ventania que nós sentimos ontem à tarde”, esclareceu.

Ele explica que a frente de rajada avança mais rápido que a linha de nuvens da tempestade e que a tempestade, em si, nem ocorreu.

“Aqui onde nós estamos, no Vale do Paraíba [em São José dos Campos, SP], choveu mais no final da tarde e início da noite. Choveu um pouco, que foi o que restou daquela linha de tempestades que foi dissipando conforme elas foram avançando para o norte. Elas começaram lá no Paraná, Santa Catarina, mas, avançando para o norte, elas foram dissipando”, disse Seluchi.

SÃO PAULO (SP), 22/09/2025 - Fortes chuvas e ventania derrubaram árvore na rua Dr Carvalho de Mendonça, na Barra Funda. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil.

Tanto a meteorologista do Inmet quanto o coordenador do Cemaden avaliam que não é possível, ainda, associar o episódio de quarta-feira ao El Niño, um fenômeno ligado ao aquecimento das águas do Pacífico que pode alterar o clima global.

Neste ano, a NOAA indicou grande probabilidade de que o El Niño seja mais intenso, possivelmente o mais forte dos últimos 76 anos.

“Teria que fazer uma avaliação mais minuciosa para verificar se [os ventos fortes] têm relação com esse fenômeno”, afirma Suellen Araujo. Já Seluchi ressaltou que relacionar diretamente as rajadas com o El Niño é difícil de provar com precisão; a linha de instabilidade decorre da presença de frentes estacionárias na região sul.

O meteorologista Thiago Sousa, doutorando da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sustenta que é necessário estudo aprofundado para estabelecer qualquer vínculo entre a ventania e o El Niño.

Saiba mais sobre o tema na reportagem do Repórter Brasil Tarde, da TV Brasil.

PALAVRAS-CHAVE: ventos fortes, Rio de Janeiro, São Paulo, El Niño, frentes frias, Inmet, Cemaden, NOAA, meteorologia

META DESCRIÇÃO: Ventos de até 105 km/h atingiram RJ e SP; especialistas discutem relação com El Niño e indicam necessidade de estudos mais profundos.

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