Faria Lima, São Paulo — A indicação de Alfredo Gaspar (PL-AL) para compor como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) foi anunciada nesta quarta-feira, provocando reações mornas entre integrantes do círculo financeiro da região. A avaliação entre esses interlocutores é de que o parlamentar alagoano agrega pouco à candidatura e representa uma oportunidade perdida de ampliar o alcance eleitoral.
Gestores do mercado financeiro ouvidos pela coluna destacaram que havia expectativa de que a chapa fosse fortalecida com uma vice mulher, idealmente filiada a outro partido, para ampliar a base de apoio e reduzir resistências entre o eleitorado feminino. A leitura é de que essa estratégia poderia ampliar as alianças da candidatura.
Um fator que pesou na recepção morna foi a denúncia de estupro de vulnerável contra Gaspar. A Polícia Federal solicitou ao STF a abertura de inquérito, mas a Corte ainda não decidiu. No mercado, cresce o temor de que o caso contamine a campanha de Flávio Bolsonaro, já que Gaspar nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição política em razão de seu papel na CPMI do INSS.
Os pontos positivos, segundo a Faria Lima — Ainda assim, a bancada financeira aponta alguns aspectos considerados favoráveis. Entre eles, o fato de Gaspar ser do Nordeste, região onde o bolsonarismo historicamente enfrenta maior dificuldade eleitoral, e a atuação dele como relator da CPMI do INSS, o que pode reforçar ataques ao presidente Lula, especialmente diante de investigações envolvendo o filho dele, o Lulinha. O discurso de Gaspar em defesa do endurecimento da segurança pública e do combate à corrupção também é visto como elemento estratégico por parte de interlocutores do mercado.
Em síntese, a avaliação entre os agentes da Faria Lima é de que a escolha de Gaspar ficou aquém das expectativas e não representou o ganho político que parte do mercado esperava para a chapa.
Fonte: Coluna Igor Gadelha, publicada no portal Metrópoles.
