Barradão: No confronto entre Botafogo e Vitória, no último domingo, Arthur Cabral foi expulso após cobrir a boca durante uma discussão com o técnico Jair Ventura. O árbitro Paulo Cesar Zanovelli mostrou o cartão vermelho ao atacante alvinegro, em lance decisivo ocorrido nos instantes finais da partida.
A expulsão ocorreu sob o Protocolo Vini Jr., a nova regra disciplinar da CBF que pune ocultar deliberadamente a boca durante confrontos com adversários. Trata-se da primeira aplicação dessa medida no Campeonato Brasileiro.
Com o vermelho, Cabral fica suspenso do próximo jogo da Série A. A decisão não envolve acusações de racismo; a punição decorre do ato de ocultar a boca durante o bate-boca.
Durante a entrevista coletiva, Jair Ventura também comentou o episódio e evidenciou uma ligação antiga com o Botafogo. “Quem não sabe, eu sou formado no Botafogo, tenho 10 anos lá. Cheguei como estagiário e saí com 99 jogos. Tenho um carinho gigante e jamais desrespeitei nenhuma instituição, principalmente onde fui criado”, afirmou o treinador.
Em seguida, Jair reconheceu o lance em que saltou próximo à bola, sem dominá-la, o que gerou reclamações entre os jogadores do Botafogo. O treinador disse não considerar o gesto desrespeitoso, mas pediu desculpas caso tenha sido interpretado de outra forma.
O QUE É A “LEI VINI JR.”?
A CBF aprovou recentemente alterações que incluem a possibilidade de cartão vermelho para quem cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com adversário. A medida é apresentada no documento como Protocolo Vini Jr.
A iniciativa ganhou notoriedade após debates provocados pelo caso envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni, em fevereiro de 2026, durante Benfica x Real Madrid pela Liga dos Campeões. Na ocasião, Vinícius foi citado em uma discussão com Prestianni e houve intervenção do protocolo anti-racismo.
A partir desse episódio, a discussão sobre impedir que jogadores ocultem a boca para dificultar a identificação de possíveis ofensas discriminatórias ganhou força internacional. A regra foi utilizada na Copa do Mundo de 2026 e, posteriormente, incorporada pela CBF ao futebol brasileiro.
A expulsão de Arthur Cabral, portanto, não sinaliza uma acusação de racismo por parte de terceiros. O árbitro agiu conforme a nova norma disciplinar, aplicando o cartão vermelho pela prática de esconder a boca durante o confronto verbal.

