Estudo revela que 41% dos evangélicos têm filhos de outra religião

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo – ISER/Quaest revelam trânsito religioso no Brasil com 15 mil entrevistas; quase 25% já mudaram de fé ao longo da vida. Entre evangélicos e católicos, o movimento é intenso: quase um terço dos evangélicos já foi católico e 3% oposto. A geração atual apresenta grande diversidade de crenças, com um terço dos filhos já seguindo religião diferente da dos pais. Dados ressaltam famílias plurirreligiosas e transformação contínua da vida religiosa no país.

Brasil vive, segundo a pesquisa Religião e Vida Pública no Brasil, um processo de transformação religiosa de ritmo mais silencioso, apresentado pela primeira vez pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) em parceria com a Quaest. O estudo ouviu 15 mil entrevistas presenciais em todo o território nacional e foi divulgado nesta semana.

Entre os principais resultados, destaca-se que quase 10% de todos os entrevistados são evangélicos que afirmam ter sido católicos anteriormente. Como os evangélicos representam aproximadamente 29% da amostra, esse contingente equivale a quase um terço do segmento. Em sentido inverso, cerca de 3% dos participantes são católicos que já foram evangélicos.

O questionário também aponta que, entre aqueles que hoje se declaram sem religião, aproximadamente um em cada cinco já pertencera ao catolicismo ou ao universo evangélico. A pesquisa reforça a ideia de famílias plurirreligiosas e indica que o trânsito entre religiões ocorre em direções diversas, não apenas de um grupo para o outro.

Outro dado relevante diz respeito à relação entre religião dos pais e dos filhos. 31% dos brasileiros pesquisados não têm hoje a mesma religião dos pais. Entre os evangélicos, a presença de pais católicos é particularmente expressiva: 32% afirmam ter mãe católica e 39% dizem que o pai é católico. Entre os católicos, os percentuais são menores: 7% têm mãe evangélica e 4% têm pai evangélico.

Ainda segundo o estudo, o movimento entre gerações se confirma na relação com os filhos: aproximadamente 30% dos entrevistados afirmam que pelo menos um dos filhos segue uma religião diferente da própria. Entre os evangélicos, esse índice sobe para 41%, enquanto entre os católicos é de 20%.

Sobre o formato de relacionamento, a pesquisa mostra que a maioria ainda permanece dentro da mesma tradição religiosa no casamento: 67% dos evangélicos relatam ter cônjuge da mesma fé, 54% entre seguidores de religiões afro-brasileiras e 81% entre católicos.

Ao perguntar as motivações para a mudança de religião, a maior parte dos respondentes que migraram citou a busca por maior afinidade com as crenças e práticas da nova religião (aproximadamente 36%). Outras razões citadas foram adoção de valores morais e éticos (?21%) e discordâncias com a autoridade religiosa (?16%).

A antropóloga Lívia Reis, coordenadora da pesquisa, ressalta que os números indicam a existência de famílias plurirreligiosas e que o trânsito entre crenças ocorre em direções diferentes, sinalizando uma religião brasileira cada vez mais diversa — especialmente entre as novas gerações.

Resumo: Discordância política entre fiéis é pouco comum (5%). Mudanças religiosas são atribuídas principalmente à experiência de fé, aos valores e à relação com instituições e lideranças. O estudo Religião e Vida Pública no Brasil, do ISER, aponta hábitos culturais ligados à fé e maior consumo de mídia religiosa. Resultados iniciais foram divulgados em 2026, com divulgação completa prevista para 2027.

Brasil – O estudo Religião e Vida Pública no Brasil, do ISER, aponta que a discordância política entre fiéis aparece em apenas 5% das respostas. A análise indica que a mudança de religião é explicada, sobretudo, pela experiência de fé, pelos valores individuais e pela relação com instituições e lideranças.

A pesquisa também mostra que a experiência religiosa não se restringe ao culto. Entre pentecostais e protestantes, 80% afirmam consumir música gospel; entre católicos praticantes, o índice chega a 69%. O levantamento indica ainda maior consumo de filmes e séries com temáticas religiosas, rádios cristãs e novelas bíblicas entre evangélicos.

A relação entre religião e política é discutida com cautela: oito em cada dez entrevistados são contrários à discussão política dentro de espaços religiosos, e nove em cada dez rejeitam a presença de candidatos com finalidade eleitoral dentro de templos.

Quanto à orientação de voto, a pesquisa apura: 11% da amostra geral relataram ter recebido orientação para votar em Jair Bolsonaro e 5% para Lula. Entre os pentecostais, 23% disseram ter recebido orientação de voto em Bolsonaro; na Igreja Universal, 27% apontaram apoio a Bolsonaro e 12% a Lula.

A influência, segundo o ISER, ultrapassa os muros dos templos: cerca de um quinto dos entrevistados participa de grupos ou comunidades religiosas nas redes sociais. Entre quem integra esses espaços, 48% afirmam ver com frequência conteúdos políticos compartilhados em grupos no Facebook; no WhatsApp, o índice é de 34%.

Os números indicam que o país não tem um comportamento religioso único, com diversos fatores — pertencimento, história familiar, denominação, região, relações pessoais, consumo cultural e posição política — cruzando-se de formas distintas. Os primeiros resultados foram divulgados em setembro de 2026, e a divulgação integral está prevista para março de 2027.

Resumo: Nova pesquisa nacional sobre religião e família revela maior pluralidade religiosa no Brasil. 23% dos brasileiros já tiveram outra religião; 29% são evangélicos; 31% não compartilham mais a religião dos pais. Entre evangélicos, 32% têm mãe católica e 39% têm pai católico; entre católicos, 7% têm mãe evangélica e 4% têm pai evangélico. 30% possuem filhos de outra religião; 80% dos pentecostais e protestantes consomem música gospel; 11% foram orientados a votar em Bolsonaro (2022) e 5% em Lula.

Uma pesquisa nacional, divulgada recentemente, aponta que o Brasil vive um cenário cada vez mais plural em crenças e práticas religiosas. O estudo, realizado no território brasileiro, aponta que 23% dos brasileiros já haviam experimentado outra religião, e que 29% da amostra se identifica como evangélica. Ainda, 31% dos respondentes não mantém mais a mesma religião dos seus pais, refletindo mudanças geracionais no caminho da fé.

Dados demográficos indicam que, entre os evangélicos, 32% têm mãe católica e 39% têm pai católico; entre católicos, 7% têm mãe evangélica e 4% têm pai evangélico. O levantamento também mostra que, entre quem hoje não professar religião, cerca de 20% já foi católico ou evangélico. No conjunto, 30% afirmam ter pelo menos um filho de outra religião, com esse índice chegando a 41% entre evangélicos e 20% entre católicos.

Os motivos para mudanças religiosas aparecem bem definidos: 36% apontam maior afinidade com crenças e práticas, 21% citam valores morais e éticos, 16% mencionam discordância com a autoridade religiosa, e 5% ressaltam discordância política. Esses fatores ajudam a explicar o movimento de busca por experiências religiosas mais compatíveis com as próprias convicções ao longo da vida.

No âmbito dos relacionamentos, 67% dos evangélicos afirmam que o parceiro acompanha a mesma religião, enquanto entre católicos o índice é de 81%. Entre religiões afro-brasileiras o índice chega a 54%. Em termos de consumo religioso, 80% dos pentecostais e protestantes afirmam consumir música gospel, enquanto entre católicos praticantes esse percentual é de 69%. O estudo também aponta diferenças no consumo de filmes e séries religiosas, rádios cristãs e novelas bíblicas.

No eixo político, 80% dos entrevistados são contrários à discussão de política em espaços religiosos e 90% rejeitam a presença de candidatos em igrejas para fins eleitorais. Em 2022, 11% disseram ter recebido orientação para votar em Jair Bolsonaro e 5% para Luiz Inácio Lula da Silva. Entre pentecostais, 23% relataram orientação para Bolsonaro. Também foi observada participação de fiéis em grupos religiosos nas redes sociais: cerca de 20% dos entrevistados integram esses grupos, com 48% dizendo ver conteúdos políticos no Facebook e 34% no WhatsApp.

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