Geração Z evita banho para encontros; tendência usa feromônios como pretexto

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo: A tendência “pheromone-maxxing” ganha força nas redes sociais, especialmente no TikTok, com relatos de abandonar banho e desodorante para supostamente reforçar sinais naturais do odor corporal na atração. Entre os nomes citados estão Isaac, perfil @fluffdumpster, e Demir Basceri, conhecido como “cookiekinggg”; porém não há comprovação científica de feromônios humanos.

A prática ganhou espaço na internet a partir de vídeos no TikTok, associada principalmente a homens da Geração Z. A ideia defendida por quem aderiu à tendência é que o uso de higiene e fragrâncias esconderia sinais químicos naturais do corpo que poderiam influenciar a atração entre pessoas. Segundo os defensores, reduzir ou eliminar o uso de perfumes e desodorante seria uma forma de expor o odor corporal e, assim, potencialmente aumentar a atratividade.

Entre os nomes mais citados na circulação dos conteúdos está Isaac, criador do perfil @fluffdumpster, apontado como uma das referências que popularizaram o tema. Outro exemplo mencionado é Demir Basceri, conhecido como “cookiekinggg”, que, segundo informações publicadas pelo Daily Mail, afirmou ter ficado três dias sem banho antes de um encontro e ter optado por vestir novamente uma camiseta usada no dia da saída, sob a justificativa de preservar o que ele chama de “efeito halo” dos feromônios.

A ideia por trás da expressão envolve conceitos da internet que combinam termos como “-maxxing” para descrever estratégias de melhorar uma característica específica — no caso, o olfato ou o atrativo percebido por terceiros — por meio de práticas de higiene ou de desuso de fragrâncias.

FERÔMONIO HUMANO REALMENTE FUNCIONA?

Feromônios são substâncias químicas usadas por muitas espécies para comunicação entre indivíduos da mesma espécie, influenciando comportamentos ligados, por exemplo, à reprodução e à territorialidade em animais. Nos seres humanos, essa questão é menos clara.

A androstadienona, um esteroide presente principalmente em secreções masculinas, é uma das substâncias mais estudadas em pesquisas sobre feromônios humanos. Estudos a relacionaram a respostas emocionais, cognitivas e neurais, mas, conforme revisão publicada em 2025 na revista Physiology & Behavior, as evidências ainda são inconsistentes, e não é possível afirmar que essa substância seja um feromônio sexual humano.

  • Resumo: Estudo de julho de 2026 na Frontiers in Psychology reúne 21 pesquisas sobre odores, emoções, percepção e julgamentos sociais, mostrando que quimiossinais humanos têm efeitos sutis e dependentes do contexto.
  • Discussões sobre o conceito de pheromone-maxxing ganham espaço entre jovens, em meio a mudanças nos padrões de relacionamentos.
  • Hábitos de higiene, como banho, desodorante e perfume, passam a ser vistos com maior flexibilidade em contextos de conquista.
  • A análise sugere que as interpretações rápidas na internet podem explicar mais mudanças percebidas do que alterações reais em hábitos sociais.

Em julho de 2026, a Frontiers in Psychology publicou uma revisão sistemática que agregou 21 estudos para investigar se odores influenciam emoções, percepção e julgamentos sociais, concluindo que os quimiossinais humanos produzem efeitos sutis e altamente dependentes do contexto.

O debate em torno do pheromone-maxxing surge num momento em que jovens revisitam padrões de relacionamento e encontros. Especialistas destacam mudanças de prioridades, questões financeiras e transformações na forma de construir vínculos.

Ainda que não haja uma relação direta comprovada entre os fenômenos, eles ajudam a ilustrar como os códigos de atração evoluem na era digital. Em alguns casos, hábitos antes considerados inegociáveis — como tomar banho, usar desodorante ou escolher perfumes — passam a ser avaliados de maneira mais flexível em escolhas de conquista.

Porém, a higiene básica continua essencial: o banho remove suor, oleosidade e resíduos, enquanto sabonetes e desodorantes ajudam a controlar odores. Manter traços naturais da pele não significa abrir mão de cuidados higiênicos.

No fim, a Geração Cascão pode dizer mais sobre a velocidade com que comportamentos são reinterpretados na internet do que sobre mudanças reais nos hábitos de toda uma geração. Para alguns usuários, a pergunta é se o cheiro natural pode favorecer a conquista, mas a resposta permanece complexa.

Especialistas ressaltam que, até o momento, não há consenso de que odores naturais alterem significativamente a dinâmica de atração no dia a dia. O tema segue em estudo entre psicólogos e sociólogos, com novas pesquisas necessárias para entender melhor esses códigos nas interações reais e virtuais.

Fonte: Frontiers in Psychology, julho de 2026.

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