Resumo: Financial Times analisa a possível dinastia Bolsonaro, destacando Jair e Flávio e a crise interna do clã no Brasil. A capa faz alusão à série Sucession e traz episódios como o desentendimento entre Michelle e Flávio em junho, sinalizando tensões na direita.
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Finantial Times traça, na capa da edição deste fim de semana, um retrato da possível dinastia Bolsonaro, usando a referência à série Sucession para ilustrar a disputa pelo poder dentro do clã no Brasil. A capa mostra, em desenho, a família com Jair no centro, Michelle ao lado e os irmãos Carlos e Eduardo ao fundo.
A reportagem, publicada na edição que chegou às bancas neste sábado (26), aborda as eleições brasileiras e a sucessão política ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, além do crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.
O FT descreve o clã como oscilando entre conservadorismo e caos, classificando a família como radical e disfuncional.
Segundo a publicação, a Casa Bolsonaro tende a se consolidar como uma dinastia política, em vez de uma anomalia isolada, indicando um contorno relevante para o cenário de direita no Brasil.
O patriarca Jair Bolsonaro é apresentado como o “porta?estandarte” de um movimento conservador com traços religiosos, conhecido como bolsonarismo.
A reportagem também aponta que Flávio Bolsonaro é descrito como político profissional desde os 21 anos, mesmo sem ter ocupado um cargo executivo anterior.
O FT ainda traça uma comparação com o estilo de figuras como Donald Trump, associando a fusão entre celebridade, redes sociais e ambição de poder.
O veículo também cita a prisão de Jair Bolsonaro e apresenta um perfil de Flávio, questionando se a primeira família de direita no Brasil estará à beira de um retorno ao poder.
Em um episódio de junho, próximo a uma partida da seleção brasileira, Michelle Bolsonaro acusou Flávio de humilhá-la em uma disputa interna do partido, chamando a atitude dele de “facada nas costas”.
Para o FT, os detalhes das alianças regionais importavam menos; o que chamou a atenção foi a hostilidade pública que expôs uma fissura no centro da direita brasileira justamente no momento de planejamento de retorno ao poder.
Segundo informações de um assessor da campanha ouvido pela reportagem, a equipe de Flávio chegou a acreditar que tudo estava acabado naquele momento, antes de uma aparente reaproximação entre mãe e enteado.
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Segundo o Financial Times, a reportagem publicada publicamente em meados de agosto revela tensões na família Bolsonaro, mesmo após uma reconciliação acompanhada de orações e abraços que nem todos aceitaram plenamente. A matéria, veiculada no contexto da política brasileira, cita aliados próximos e analisa o papel de cada um no arranjo familiar.
Silas Malafaia, aliado próximo à família, disse ao FT que a disputa é sobre quem vai carregar o nome Bolsonaro, apontando que o legado político é o foco central do embate.
Flávio Bolsonaro é descrito pela reportagem como o “moderado autodeclarado” da família, por vezes visto como o “Bolsonaro vacinado” por interlocutores próximos, uma imagem que contrasta com o tom mais combativo de outros membros.
Na convenção do PL em julho, Jair Bolsonaro apareceu no telão na forma de um avatar criado por inteligência artificial para apresentar Flávio como seu possível sucessor, momento que emocionou o filho no palco.
Carlos Bolsonaro é descrito pela reportagem como o estrategista das redes sociais, creditado pela vitória de 2018, segundo a matéria.
Eduardo Bolsonaro, 42 anos, reside no Texas desde 2025; ele teve o mandato de deputado cassado e foi condenado à revelia, em junho, por pressionar autoridades americanas a interferir no julgamento do pai, conforme a publicação.
Michelle Bolsonaro, evangélica e 27 anos mais jovem que o marido, é apresentada pela reportagem como possível “arma secreta” nas eleições, deixando a imagem de primeira-dama discreta para trás. Segundo uma pesquisa citada pelo FT, ela seria a mulher mais poderosa do país e é hoje candidata ao Senado pelo Distrito Federal, a pedido do marido.

