Resumo: AfD lidera a eleição estadual em Saxônia-Anhalt, segundo pesquisas de boca de urna, com 44% dos votos. Turnout de 77% (ZDF). A vitória é vista como revés para a coalizão de Merz e para o governo federal. A AfD já é apresentada como o partido mais popular da Alemanha, ampliando sua influência nacional. Celebram a vitória com expectativas de ganhos políticos futuros.
Saxônia-Anhalt, Alemanha — Em meio à apuração das eleições estaduais realizada no último domingo, a AfD ficou à frente pela primeira vez em pesquisas de boca de urna, com cerca de 44% dos votos, segundo a emissora ZDF. A participação foi estimada em 77%, também conforme a ZDF. Embora não tenha alcançado a maioria absoluta, o resultado sinaliza forte crescimento da legenda de extrema direita em um estado historicamente conservador.
Conforme o material divulgado, a AfD já é apresentada como o partido mais popular da Alemanha em nível nacional, ampliando sua base para influenciar a política do país. A vitória representa um revés para a coalizão governista liderada por Merz, cuja agenda econômica e de estilo de comunicação tem enfrentado críticas entre eleitores insatisfeitos.
“Fizemos história neste país”, afirmou Ulrich Siegmund, de 35 anos, líder da AfD na Saxônia-Anhalt, que reuniu milhares de apoiadores em comícios e apontou a vitória no estado como o primeiro passo para ampliar o poder nacional nas eleições federais previstas para 2029. “O povo deixou absolutamente claro que finalmente quer uma mudança política”, completou.
Ao longo da apuração, comemorações surgiram em Magdeburg, cidade-sede da região, com bandeiras e abraços entre apoiadores. A liderança do AfD tratou o resultado como um impulso para o cenário federal. Conforme cobertura da Reuters, o impacto político é observado com cautela por analistas, que destacam a importância simbólica da votação no mapa nacional.
Donald Trump, presidente dos EUA, publicou uma captura de tela do resultado no Truth Social, enquanto líderes de extrema direita em outros países celebraram o andamento da eleição, visto como sinal de apoio a agendas nacionalistas em diversas nações.
Revés para Merz. O resultado expõe um cenário de queda para o index de aprovação de Merz, com pesquisas da ARD apontando que 87% dos eleitores do estado estavam insatisfeitos com o governo federal. Siegmund também descreveu Merz como o melhor candidato da AfD, dada a impopularidade dele no estado.
“Este resultado eleitoral é, acima de tudo, um voto de desconfiança no governo federal”, afirmou Marcel Fratzscher, presidente do Instituto Alemão de Pesquisa Econômica (ifo), à Reuters. Em resposta, Merz prometeu reformas pró-empresas para revitalizar a maior economia da Europa e avisou que uma vitória da AfD no estado poderia prejudicar a sua atratividade para investimentos estrangeiros. Analistas ressaltam que o resultado pode redesenhar as dinâmicas políticas alemãs, com implicações para imigração, relações com a Rússia e o papel da Alemanha na Europa.
A apuração continua e o cenário sugere que o AfD poderá ganhar influência significativa tanto em Saxônia-Anhalt quanto em nível nacional, com decisões futuras sobre coalizões e políticas públicas ainda por vir. O portal acompanha a evolução dos desdobramentos políticos e as reações de diferentes setores à crise de apoio ao governo federal.
Resumo: Saxônia-Anhalt vive momento político decisivo após eleições regionais; a AfD lidera pesquisas nacionais com 28% de intenções de voto (INSA). A maioria dos partidos recusou cooperação com a AfD, classificada como extremista pelo escritório local de intelligence. Sahra Wagenknecht/BSW tentou propor governo estadual apartidário com apoio variável, inclusive da AfD, mas a ideia foi rejeitada por Siegmund. Conservadores de Merz estudam coalizões possíveis; tema migração domina o debate político.
Palavras-chave: Saxônia-Anhalt, AfD, eleição regional, INSA, coalizões, Sahra Wagenknecht, BSW, Merz, migração.
Fontes: conteúdo principal da matéria com colaboração adicional de repórteres da Reuters, parceiro do PrimeiroJornal.
Observação editorial: transparência quanto às fontes originais e ao posicionamento das legendas durante a cobertura.
Saxônia-Anhalt, Alemanha — Após as eleições regionais, o cenário político do estado destaca a ascensão da AfD, que já figura como a força mais popular da Alemanha em nível nacional, com 28% das intenções de voto, segundo a pesquisa INSA. A AfD, que foi classificada como extremista pelo escritório local do serviço de inteligência interna, aparece como elemento central das negociações entre siglas, complicando a formação de uma coalizão estável na região.
Uma exceção no tabuleiro foi o pequeno partido Aliança de Sahra Wagenknecht (BSW), que parecia estar próximo de ultrapassar o mínimo necessário para entrar no Parlamento. O BSW sugeriu governar a Saxônia-Anhalt com um primeiro-ministro estadual apartidário e maiorias variáveis, incluindo votos da AfD. Contudo, Siegmund desqualificou a proposta, classificando-a como confusa e descartando qualquer acordo que impeça a AfD de cumprir seu programa de mudança. “Se chegarmos a um ponto crítico, haverá novas eleições”, afirmou.
Os conservadores liderados por Friedrich Merz afirmaram que vão explorar negociações com outras legendas, ainda que isso exija a união de forças com agendas políticas distintas. Oposição da região vizinha, a Turíngia, já opera com um governo minoritário sustentado pela tolerância do Partido de Esquerda, evidenciando o dinamismo e as dificuldades de coalizões em estados de forte fragmentação.
Apesar de Saxônia-Anhalt ser um dos menores estados alemães, com pouco mais de 2 milhões de habitantes, o resultado ressalta o rápido avanço da AfD desde sua criação em 2013. Em nível nacional, a AfD consolidou-se como a força de maior expressão entre parte da população, desafiando o tradicional duopólio entre conservadores e social-democratas.
Linha dura em relação à migração
Enquanto partidos de extrema direita avançam em várias partes da Europa, o passado nazista da Alemanha continua a inibir cooperações mais largas entre legendas tradicionais, o que dificulta alianças com a AfD. A própria AfD rejeita as acusações de extremismo, defendendo que são alarmismo e ofensa aos milhões de apoiadores.
Durante a campanha, o partido explorou o descontentamento com as formações políticas tradicionais, apresentando uma agenda de linha-dura: defesa de valores considerados tradicionais, restrição de imigração e reformulação da radiodifusão pública. Entre as propostas, a AfD defende ensino com turmas segregadas para filhos de refugiados, promoção de bandeiras específicas nas escolas, e o hino nacional em eventos escolares, além de maior ênfase no estudo de russo e a suspensão de novos parques eólicos.
* Reportagem adicional de Thomas Seythal, Cian Muenster, Christian Krämer, Andreas Rinke, Markus Wacket, Rene Wagner, Alexander Ratz, Francesca Landini, David Ljunggren. Conteúdo fornecido pela Reuters, parceiro do PrimeiroJornal.
