Baixa adesão às vacinas contra gripe e covid coloca gestantes em risco

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo rápido: Gestantes do Rio de Janeiro destacam a importância da vacinação no pré-natal. Dados nacionais apontam discrepâncias na cobertura de imunizantes (COVID-19 e influenza). Em 2025, 55% receberam COVID-19 e 63% influenza; novas informações preliminares indicam melhoria na influenza (76%), mas ainda sem dados finais sobre COVID-19. Informações/créditos: Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.

No Rio de Janeiro, duas gestantes discutem a importância da vacinação durante o pré-natal. Nataly Saldanha, que está com 39 semanas de gestação, foi reconhecida como a gestante nota 10 na unidade de pré-natal do centro da cidade e aguarda a chegada de Noely nos próximos dias. Ela afirma ter comparecido a todas as consultas e exames, seguido fielmente as orientações dos profissionais de saúde e apresentar a carteira de vacinação completa.

“Eu sempre tive o hábito de me vacinar; quando comecei o pré-natal já coloquei minha carteirinha em dia. Caso haja alguma doença circulando, eu estou imune. E também me preocupo bastante com a minha bebê. Quero garantir que ela fique 100% saudável”, afirma a gestante Nataly.

As informações de Nataly são compartilhadas em meio ao reconhecimento de que a adesão à vacinação entre gestantes varia consideravelmente. A gestante Raissa Silva de Oliveira, com 34 semanas de gestação e que espera Rafael, também reforça a importância de manter o calendário vacinal em dia durante a gravidez.

“Eu sempre tomei tudo quanto é vacina, porque eu acredito na ciência. Desde o início do pré-natal, meu médico perguntou como estavam minhas vacinas, pediu para ver minha carteirinha e me orientou sobre as próximas que eu tinha que tomar”, conta Raissa.

Rio de Janeiro (RJ), 14/09/2026 – A gestante Nataly Saldanha e a médica da família, Catarina Jatobá durante atendimento na Clínica da Família, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

Essa avaliação de Nataly e Raissa ocorre em meio a números oficiais que destacam uma discrepância entre a cobertura de imunizantes entre as gestantes em todo o país. O Ministério da Saúde aponta que, no Brasil, há variações significativas na adesão aos diferentes imunizantes para quem está esperando um filho.

> Em 2025, apenas 55% das gestantes se vacinaram contra a COVID-19, e 63% contra influenza (considerando dados das regiões Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste). Os dados preliminares deste ano mostram uma situação um pouco melhor no caso da vacina contra influenza, com cobertura de 76%, mas a vacinação contra a COVID-19 ainda não está completa no trecho disponível, segundo informações da Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal.

Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, parceira do PrimeiroJornal, a variação regional na cobertura vacinal entre gestantes reforça a necessidade de ampliar campanhas de educação e acesso à vacina durante o pré-natal. Especialistas afirmam que manter o calendário vacinal em dia pode contribuir para a saúde tanto da mãe quanto do bebê, reduzindo riscos de complicações associadas a infecções durante a gravidez.

Rio de Janeiro (RJ), 14/09/2026 – A gestante Raissa Raiana de Oliveira fala sobre vacinação durante a gravidez. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Crédito: Fernando Frazao/Agência Brasil

Apesar de avanços em alguns indicadores, especialistas reforçam que a proteção gestacional depende de uma articulação entre unidades de saúde e campanhas de conscientização. O objetivo é ampliar a cobertura para vacinas seguras durante a gravidez, como parte de um cuidado integral da mãe e do bebê, especialmente diante de infecções que podem complicar o parto.

Resumo: Brasil registra queda de SRAG entre gestantes e Puérperas com vacinação; 286 casos por influenza (2022-ago/2026) com 25 mortes; COVID-19 soma 205 casos graves e 21 óbitos. No trinópio 2020-2022 houve 3.547 SRAG nesse grupo e 811 mortes. Vacinação reduz taxas; influenza e COVID-19 somam ~30% dos casos este ano, com mais de 50% das mortes nesse público. Fontes: Ministério da Saúde, Agência Brasil, SBIm.
Palavras-chave: SRAG, gestantes, puérperas, influenza, COVID-19, vacinação, Brasil, SBIm

Brasil registra, segundo dados apurados pelo Ministério da Saúde a pedido da Agência Brasil, uma tendência de redução nos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) entre gestantes e puérperas, associada à vacinação contra influenza e COVID-19. As informações indicam que, entre 2022 e o início de agosto de 2026, houve 286 casos de SRAG nesse grupo provocados por subtipos de influenza, com 25 óbitos, sendo sete apenas neste ano.

29/09/2026 - Coberturas Vacinais variam de acordo com o imunizante. Foto: Arte/EBC

Crédito: Arte/EBC

Além dessas informações, a pesquisa aponta que a COVID-19 sozinha provocou pelo menos 205 casos graves e 21 mortes no mesmo período. A comparação com três anos da pandemia revela o peso histórico do tema: de 2020 a 2022, foram registrados 3.547 casos de SRAG comprovadamente causados pelo vírus em gestantes ou puérperas, com 811 óbitos — quase um quarto das mulheres nesse grupo

Vacinas também ajudam a conter surgimento de bactérias resistentes. Flávia Bravo é diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações. Foto: Divulgação/SBIm

Crédito: Divulgação/SBIm

A vacinação foi determinante para reduzir essas taxas até os patamares atuais. Cientistas brasileiros cruzaram registros de SRAG em gestantes e puérperas antes e após o início da imunização nesse público e constataram que a taxa mensal de SRAG caiu para aproximadamente um terço do que era, enquanto a mortalidade passou a ser quase cinco vezes menor.

Apesar do avanço, COVID-19 e influenza, juntos, respondem por quase 30% dos casos de SRAG em gestantes e puérperas registrados este ano no Brasil. Quando se analisam as mortes, esse contingente representa mais de 50%. As autoridades ressaltam que, mesmo com a melhoria, a vacinação continua crucial para proteger esse grupo vulnerável, que fica especialmente exposto às complicações respiratórias.

Resumo: Ministério da Saúde, via SUS, acrescenta quatro vacinas ao calendário de gestantes (hepatite B, dT, dTpa e VSR), além de influenza e covid-19. Vacina contra febre amarela pode ser indicada excepcionalmente. Especialistas ressaltam que as vacinas devem constar no checklist básico da gestante para proteção. Vacinação pode reduzir gravidade de infecções durante a gravidez.

O Ministério da Saúde, por meio do SUS, ampliou o conjunto de vacinas recomendadas para gestantes. Além das imunizações já previstas contra influenza e coronavírus, o período gestacional passa a contar com quatro opções adicionais: hepatite B, dT, dTpa (difteria, tétano e coqueluche) e VSR (vírus sincicial respiratório). A medida objetiva fortalecer a proteção de mulheres grávidas contra infecções tratadas como de maior risco durante a gestação.

Ainda de acordo com o planejamento do Ministério, a vacinação contra febre amarela pode ser indicada excepcionalmente para gestantes que vivem em áreas com circulação comprovada da doença, em situações de surto, emergência ou alto risco, ou para quem precisa viajar a locais com esse risco. A recomendação busca equilibrar proteção individual com condições específicas de cada mulher.

29/09/2026 - Vacina que devem ser tomadas na Gestação. Foto: Arte/EBC

Crédito: Arte/EBC

Atenção à checklist básica – a ginecologista Giuliane Lajos orienta que todas essas vacinas devem constar no checklist básico das gestantes, não sendo vistas como opcionais. Em tom mais leve, ela afirma que “menos desculpas e mais vacinação” significa ter a garantia de um bebê saudável e bem cuidado. A especialista reforça que manter a imunização disponível é fundamental para reduzir riscos de infecção durante a gestação.

Especialistas ressaltam a vulnerabilidade durante a gestação – uma profissional da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo lembra que as gestantes precisam de cuidado redobrado com infecções, pois o sistema imune passa por mudanças para acolher o embrião. Com o avanço da gravidez, o espaço pulmonar tende a diminuir e algumas funções do corpo podem ficar mais comprometidas.

“Quando você engravida, metade do bebê vem da sua genética e outra metade vem do parceiro. Para aceitar esse ‘implante’ dentro do útero, ocorrem várias alterações no sistema imunológico da mulher. Além disso, com a gravidez mais avançada, o espaço pulmonar diminui e algumas funções do corpo pioram.”

Por isso, as autoridades em saúde destacam a importância de assegurar todas as proteções vacinais disponíveis durante a gestação. “Se estiver vacinada, às vezes a mulher pode até ter uma infecção, mas não vai ser com gravidade”, ressalta Giuliane Lajos.

As informações aqui apresentadas são baseadas em material divulgado pela Agência Brasil (EBC), parceiro do PrimeiroJornal, e divulgadas com a devida atribuição às fontes originais.

Fonte: Agência Brasil – EBC (parceira do PrimeiroJornal).

Resumo Jornalístico: Vacinação durante a gestação reduz riscos para a mãe e aumenta a proteção do bebê nos primeiros meses. Dados globais apontam queda de prematuridade, morte fetal e anomalias com imunização contra influenza e COVID-19. No Brasil, 1,7 milhão de gestantes já foram vacinadas (86% do público-alvo). A imunização infantil a partir dos 6 meses amplia a proteção do recém-nascido.

Especialistas destacam que a vacinação de gestantes é fundamental para reduzir complicações durante a gravidez e para proteger o recém-nascido. Uma análise envolvendo mais de 1,2 milhão de gestantes em todo o mundo mostrou que mulheres vacinadas contra a covid-19, por exemplo, apresentaram menor risco de parto prematuro, morte fetal e anomalias congênitas no feto, reforçando a importância dessa imunização tanto para a mãe quanto para o bebê.

Além de promover proteção para a mãe, a vacinação durante a gestação fortalece a defesa do bebê nos primeiros meses de vida, já que anticorpos são transferidos pela placenta. O esquema de imunização contra influenza e COVID-19 começa aos 6 meses de idade, o que depende da proteção passiva recebida pela mãe durante a gestação.

“Ensaios clínicos já publicados mostram que a vacinação contra a gripe, por exemplo, chega a diminuir em torno de 70% a ocorrência da doença nos primeiros meses do bebê. Covid é a mesma coisa. Existem estudos mostrando que a quantidade de anticorpos no cordão umbilical é maior do que no sangue da mãe. Ou seja, além de ter um transporte ativo, o bebê nasce com mais anticorpos”, explica Flávia Bravo.

A falta de imunização de bebês também preocupa. O Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe do Ministério da Saúde registrou, este ano até 19 de setembro, quase 4 mil casos de SRAG em crianças com menos de 2 anos causados por influenza, com 55 mortes.

Já os casos graves comprovadamente causados por covid-19 nessa faixa etária somam 808, com 18 mortes. Desde 2023, ano em que a Organização Mundial da Saúde decretou o fim da pandemia, pelo menos 9.725 crianças com menos de 2 anos adoeceram gravemente por covid-19, das quais 223 morreram.

As vacinas de RNA mensageiro aplicadas atualmente no Brasil já demonstraram eficácia de quase 100% contra mortes por covid-19. A vacina contra a gripe reduz o risco de morte em até 75%.

De acordo com Giuliane Lajos e Flávia Bravo, a vacinação das gestantes, combinada com a imunização das próprias crianças a partir dos 6 meses, é imprescindível para a redução desses números. Um exemplo do potencial da vacinação com altas coberturas é a curva de casos de vírus sincicial respiratório.

Iniciada no ano passado, a vacinação já alcançou 1,7 milhão de gestantes, uma cobertura estimada em 86% do público-alvo.

Brasil registra avanço na imunização contra coqueluche: queda de casos graves em bebês e alta cobertura de dTpa em gestantes

Resumo: Dados do Ministério da Saúde, divulgados pela Agência Brasil, mostram redução de coqueluche entre bebês no 1º semestre de 2026. Foram 6.674 casos graves em menores de 6 meses, menos da metade das 14.061 ocorrências em 2025. A cobertura de dTpa em gestantes atingiu 94% em 2025 e 88% em 2026 (dados preliminares). Casos de coqueluche caíram de 7.747 em 2024 para 401 até 10/09/2026; 20% dos infectados têm menos de 1 ano, e a maioria das mortes ocorre nessa faixa etária.

Dados do Ministério da Saúde, divulgados pela Agência Brasil, indicam que o Brasil registra uma tendência de queda nos casos graves de coqueluche entre recém-nascidos. No primeiro semestre de 2026 foram observados 6.674 casos graves em bebês com até 6 meses, menos da metade das 14.061 infecções registradas no mesmo período de 2025.

Coqueluche

A história da imunização no Brasil evidencia o impacto das vacinas na redução de doenças graves. A aplicação da vacina dT em gestantes, iniciada na década de 1960, ajudou a erradicar o tétano neonatal. A difteria também tem mostrado avanços, com números significativamente baixos nos últimos anos. Em 2014, diante de surtos de coqueluche em recém-nascidos, o SUS passou a oferecer a dTpa para gestantes, ampliando a proteção contra Bordetella pertussis.

O calendário de vacinação infantil prevê a proteção contra coqueluche com a primeira dose aos 2 meses e a conclusão do esquema aos 6 meses. Isso significa que os recém-nascidos dependem da imunização materna para evitar a doença na fase mais vulnerável da vida.

Segundo dados do Ministério da Saúde, a cobertura da dTpa em gestantes subiu de 34% em 2016 para 94% em 2025. Dados preliminares de 2026 apontam 88% de cobertura. Desde 2023, a vacinação de bebês tem se mantido próxima de 90%.

Mesmo com a redução, os casos de coqueluche continuam expressivos. Em 2024 houve 7.747 infecções, caiu para 2.744 em 2025 e chegou a 401 até 10 de setembro deste ano. Aproximadamente 20% dos infectados nesse período tinham menos de 1 ano, mas esse percentual aumenta quando se observa o total de mortes. Dos 11 óbitos em 2026, nove ocorreram em bebês com menos de 1 ano, sendo oito com menos de 6 meses.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil ressaltam que as vacinas aplicadas durante a gravidez passam por rigorosos testes e não representam risco para gestantes ou bebês. “A vacina de covid-19, que tem maior respaldo científico, tornou-se o imunizante mais estudado do mundo. E não há evidência de risco de malformação fetal, autismo ou morte”, destaca a ginecologista Giuliane Lajos. Flavia Bravo, diretora da SBIm, reforça a necessidade de que profissionais desfanezmentem mitos e orientem pacientes com fontes confiáveis. A médica de família Catarina Jatobá de Souza, atendendo Nataly na Clínica da Família Ricardo Lucarelli, no centro do Rio de Janeiro, afirma que o cartão de vacinação é conferido já na primeira consulta.

Resumo

  • Gestantes no Rio de Janeiro recebem orientação para manter a vacinação em dia durante o pré-natal.
  • Equipe da rede pública integra consultas com aplicação de vacinas, incluindo o imunizante contra VSR, com apoio de agentes comunitários.
  • Casos e relatos indicam a importância de combinar consultas e vacinação para evitar atrasos.
  • Grupos de gestantes e pais promovem atividades de conscientização sobre imunização e bem-estar durante a gravidez.

Rio de Janeiro (RJ) — Em atendimento de pré-natal na Clínica da Família da região central, a gestante Nataly Saldanha acompanhou uma sessão que evidencia a integração entre consulta médica e vacinação para evitar perdas no calendário imunizante. A data mencionada no registro é 14 de setembro de 2026.

Rio de Janeiro (RJ), 14/09/2026 – A gestante Nataly Saldanha durante atendimento na Clínica da Família, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

A médica responsável pela equipe lembra que o objetivo é evitar que as gestantes necessitem retornar em outra data apenas para receber a vacina. “Isso é muito oportuno porque a gestante já aproveita o dia da consulta para fazer as duas coisas, e a gente sabe que, se essa vacinação for marcada para outro dia, pode haver uma perda. Por isso, a gente também tenta marcar as consultas no dia em que a gestante tem que se vacinar”, explicou a médica.

Outros profissionais também atuam para preencher a carteirinha de vacinação das gestantes. “A visita domiciliar do agente comunitário é feita mensalmente durante a gravidez e eles também reforçam para as pacientes levarem a carteira de vacinação para a consulta, além de informar se alguma gestante está com atraso”, disse a médica.

Raissa Silva de Oliveira, que também faz pré-natal na rede pública, contou que recebeu orientação do posto para verificar a vacinação contra o VSR. “Me ligaram do posto para lembrar da vacinação contra o VSR, porque eu não tinha ido lá tomar, mas eu tomei no shopping,” explicou. A atendente ainda pediu que ela enviasse uma foto da carteirinha para conferência.

Além das ações formais, momentos de convivência, como reuniões de grupos de gestantes e pais, e atividades como o dia de pintura da barriga, são utilizados para reforçar a importância das vacinas. Catarina Jatobá, médica, afirma que esses espaços ajudam as pacientes a discutir imunizações com outras mulheres que já receberam as doses e continuam bem. “Nunca vi nenhum caso grave causado pela vacina, ao contrário das doenças. Elas mesmas comprovam, por conta própria, que não há risco”, defende.

A gestante Nataly Saldanha reforça o impacto positivo dessas ações: “Quando tive a minha primeira filha, não tive acesso a nada disso. É muito bom poder conversar com as outras mães. Hoje surgem novas vacinas, como a da Covid e da bronquiolite. Estou redescobrindo tudo de novo.”

Este material reúne informações da Agência Brasil, com imagens de Tomaz Silva, para ilustrar práticas de vacinação durante o pré-natal em unidades da rede pública do Rio de Janeiro.

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