- Fatos: Três PMs do 39º Batalhão, Belford Roxo (RJ), são denunciados por cobrança de propina para oferecer policiamento privilegiado à Clínica Fênix.
- Investigação: Patrinus, conduzida pelo Gaesp/MPRJ, aponta vínculos com empresários chamados de “padrinhos” que pagavam por atendimento diferenciado.
- Período: Ocorrências entre 2021 e 2025, com prisões em agosto de 2025 e desdobramentos em 2024–2025; novas denúncias em maio e junho de 2025.
- Status: Investigações continuam; casos envolvem corrupção passiva militar, peculato e comércio ilegal de arma de fogo.

Belford Roxo, RJ — Em Belford Roxo, na Região Metropolitana, três policiais militares do 39º BPM foram denunciados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por suposta cobrança de propina em troca de policiamento privilegiado à Clínica Fênix, situada no município. Dois dos denunciados já estavam presos por outra fase da operação; o terceiro foi detido em casa, no bairro Parque Rosário, em Nova Iguaçu. A acusação é de corrupção passiva militar.
Conforme apuração do Gaesp/MPRJ, um dos PMs atuava como elo entre a clínica, as equipes de policiamento e os operadores do esquema, negociando valores e coordenando o atendimento. Outro denunciado acompanhava as tratativas e os pagamentos, enquanto o terceiro realizava patrulhamento dirigido ao estabelecimento e compartilhava fotos da atuação em um grupo de mensagens, recebendo o valor combinado.
A investigação aponta que, no caso da clínica, houve a fricção de pagamentos que variavam entre R$ 50 e R$ 100, conforme mensagens apreendidas durante o andamento do inquérito. O conteúdo das comunicações indica uma diferença entre o valor efetivamente pago e o acordado entre as partes.
Estrutura coordenada
As apurações indicam uma estrutura articulada: um policial intermediava a relação com a clínica, negociava os valores e coordenava o atendimento pelas equipes; outro acompanhava as tratativas e pagamentos; o terceiro, responsável pelo patrulhamento direcionado ao estabelecimento, enviava fotos da atuação e recebia R$ 50.
Os fatos teriam ocorrido entre setembro e outubro de 2021, quando os três atuavam no 39º BPM (Belford Roxo). Um deles foi afastado após a denúncia, e a denúncia foi recebida pela Auditoria da Justiça Militar.
A operação
A sexta fase da Operação Patrinus foi deflagrada pelo Gaesp/MPRJ e pela Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI)/MPRJ, com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Seppen. A Patrinus foi iniciada em maio de 2024, a partir de investigações envolvendo policiais do 39º BPM em Belford Roxo, e os celulares apreendidos ampliaram o escopo com novos integrantes e práticas criminosas.
No andamento, foram registrados desdobramentos relevantes: em agosto de 2025, 10 PMs foram presos por envolvimento em extorsões a comerciantes; em maio de 2025, o Gaesp denunciou 11 PMs por recebimento de propina para garantir proteção a estabelecimentos durante o expediente; no mês seguinte, quatro PMs foram denunciados por peculato e pelo comércio ilegal de arma de fogo, envolvendo a venda de uma pistola apreendida durante uma ocorrência.
Observação: as investigações seguem em curso para esclarecer a extensão do esquema e responsabilizar os envolvidos de acordo com a lei.
