Bahia perde representação da família Leão na Câmara após eleições de 2026
Resumo
- Bahia encerra presença da família Leão na Câmara após as eleições de 2026.
- João Leão inaugura trajetória histórica da família; Cacá Leão não é eleito para 2027.
- A Bahia elegeu 39 deputados federais em 4 de outubro, apontando renovação no centrão.
Bahia – Em Brasília, com as eleições de 4 de outubro de 2026, a bancada da Bahia na Câmara dos Deputados não contará mais com representantes da família Leão, encerrando um ciclo que começou em 1994. O desfecho também indica a ausência de Cacá Leão na lista dos 39 baianos eleitos para 2027, sinalizando renovação no centrão baiano.
João Leão, nascido em Recife em 27 de fevereiro de 1946, iniciou a trajetória pública ao vencer a prefeitura de Lauro de Freitas (1989-1992) e, em 1994, ser eleito para a Câmara dos Deputados, tomando posse em 1995. Ao longo de sua vida pública, ocupou cargos no Executivo municipal e estadual, incluindo a secretaria de Infraestrutura, a Casa Civil de Salvador e a Secretaria Estadual do Planejamento, além de ter sido vice-governador da Bahia por dois mandatos. No Congresso, acumulou seis mandatos como deputado federal, retornando ao cargo em 2023.
Cacá Leão, filho de João Leão, seguiu o caminho político, sendo eleito deputado federal em 2014 e empossado em 2015, com duas legislaturas até 2023. Durante esse período, ocupou posições de liderança partidária e chegou a chefiar o PP na Câmara. Enquanto isso, seu pai atuava como vice-governador na gestão de Rui Costa (PT) na Bahia.
Em 2022, Cacá deixou a disputa pela Câmara para concorrer ao Senado, mas não foi eleito. Em 2026, ele voltou a disputar uma vaga de deputado federal pelo PP, porém não integrou a lista dos 39 baianos eleitos para a legislatura que começa em 2027.
Com esse desfecho, a representação da família Leão no Congresso ficará interrompida a partir da próxima legislatura. A mudança também redefine o cenário do centrão baiano, que passou por renovações significativas na eleição de 2026.
A Bahia elegeu 39 deputados federais em 4 de outubro, em uma eleição que reuniu nomes de diversos partidos e perfis políticos, evidenciando a disputa por espaço entre forças tradicionais e novas correntes no parlamento.
João Leão, veterano do PP na Bahia, tem trajetória que mescla mandatos nacionais e cargos executivos. Originalmente deputado federal, ele passou a comandar a Secretaria de Infraestrutura do estado e, em 2011, deixou a Câmara para assumir a Casa Civil da Prefeitura de Salvador. Em 2014, foi eleito vice-governador na chapa liderada por Rui Costa (PT) e permaneceu no posto até 2022, período em que também esteve à frente da Secretaria do Planejamento da Bahia, ampliando o protagonismo do grupo na gestão pública.
A relação com Rui Costa chegou ao fim em 2022, quando o PP rompeu com a base governista. Esse desenlace abriu caminho para Leão voltar ao Mandato Federal e conquistar o sexto mandato na Câmara. Em 2026, porém, ele decidiu não disputar nova cadeira, direcionando o foco para a política estadual e municipal. Hoje, Leão está licenciado do mandato para exercer a Secretaria de Governo da Prefeitura de Salvador, mantendo atuação significativa no âmbito local.
SUCESSÃO FAMILIAR – A passagem de João Leão para o, então, estreante no Congresso Cacá Leão, filho do ex-vice-governador, tornou-se um marco da atuação da família. Nascido em Salvador em 1979, Cacá é administrador e ingressou na Câmara em 2015, chegando a liderar a bancada do PP. Em 2022, tentou disputar o Senado, sem êxito, e, em 2026, não conseguiu retorno à Câmara. Com a retirada da dupla do cenário federal, o grupo deixa de ter representação direta no Congresso, mas permanece ativo na política baiana por meio de lideranças locais.
MUDANÇA NO MAPA POLÍTICO BAiano – A saída da família Leão da Câmara ocorre em meio a uma janela de renovação no estado. Das 39 cadeiras destinadas a Bahia, novos nomes conseguiram espaço no Congresso, enquanto políticos tradicionais ficaram de fora. Para o PP, a ausência de Cacá Leão representa uma perda de uma liderança nacional, exigindo reorganização da atuação no estado. A partir de 2027, o foco de influência passa a ser o espaço municipal e a liderança partidária local, sinalizando uma reconfiguração importante no cenário baiano.

