Resumo rápido: O senador Jaques Wagner (PT) nega ter intermediado a compra de obras de arte através de Guilherme Sodré, o “Guiga”, e contesta acusações veiculadas pela VEJA a partir de áudios e documentos ligados ao ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro. O material também aborda alegações sobre financiamento de filme sobre Lula e defesa a Otto Alencar.
Bahia – Em entrevista ao Piatã Notícias, programa da rádio Piatã FM, nesta sexta-feira (9), o senador Jaques Wagner (PT) negou ter intermediado qualquer negócio para a compra de obras de arte de alto valor por meio de Guilherme Sodré, conhecido como “Guiga”, e rebateu relatos derivados de áudios e documentos do ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, divulgados pela VEJA.
Wagner afirmou que a relação com Guiga é estritamente pessoal e profissional, sem vínculo com negócios. “Eu não intermediei, não comprei nenhuma obra de arte pela mão de Guiga. É meu amigo há décadas, desde o tempo em que ele era médico do trabalho; ele me ajudou na minha campanha de 1986. Amizade não passa por negócios, passa por amizade”, disse o parlamentar.
Ao ser questionado sobre as declarações de Vorcaro de que ele financiou uma produção cinematográfica sobre o presidente Lula para obter vantagens comerciais junto ao governo federal, Wagner rejeitou a cronologia apresentada. “O filme de Lula que eu conheço é de 2010; o Banco Master é de 2019. Deixem provar, quem tomou dinheiro que se explique”, afirmou.
DEFESA DE OTTO – O senador também saiu em defesa de seu colega de bancada no Senado, Otto Alencar (PSD), citado em reportagens sobre investimentos do Banco Master na empresa de sua filha. Wagner declarou que não leu a reportagem na íntegra, mas reforçou o apoio ao aliado político. “A gente que é político é exposto; a boca fala o que quer. Agora é preciso provar. Eu considero que o Otto não tem nada a ver com essa história”, disse. O senador também mencionou episódios passados em que foi alvo de boatos, lembrando: “Naquela época, disseram que visitei a ilha de Augusto Lima. Não visitei ilha nenhuma.”
Segundo Vorcaro, em tratativas de cessão premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-banqueiro afirma ter feito repasses para credenciamento do Banco Master e acesso a aportes de fundos de pensão federais. Ele sustenta que as tratativas teriam contado com a participação do ex-tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e do ministro Alexandre Padilha, além da intermediação de Wagner, à época líder do governo no Senado, e de seu ex-sócio Augusto Lima.

