Relatório de segurança do STF revela milhares de mensagens públicas contendo ameaças a ministros.
Mensagens citam violência contra a Corte e nomes como Moraes, Dino e Zanin.
A divulgação aponta uso de ódio para incitar ataques; o Inquérito das Fake News tramita desde 2019.
Dino afirma que as ameaças não afetam sua atuação no STF.
O ministro Flávio Dino, do STF, divulgou, nesta sexta-feira (9), um relatório de segurança do STF que reúne milhares de mensagens publicadas na internet contendo ameaças de violência, inclusive assassinato, contra ministros da Corte.
Entre as mensagens, há afirmações de que o ministro Dino será “o primeiro a ser fuzilado” por ele ter proibido o acesso às armas, além de referências a invasões ao STF e a tratamento de Moraes, Dino e Zanin como derrotados em praças públicas, conforme a postagem citada pelo ministro.
O ministro afirma que o ódio expresso nessas mensagens decorre da repetição de informações falsas destinadas a incitar violência. Em postagem, ele acrescentou que quem não concorda com decisões pode recorrer aos tribunais competentes, e que não é necessário matar um juiz nem fazer discursos que incitem perseguições.
Apesar das ameaças, Dino disse que não há qualquer efeito em sua atuação no STF. “Não mudarei minha atuação profissional, nem minha perna tremerá nem minha voz tremerá”, declarou.
Ele acrescentou que esse tipo de discurso revela um risco para a independência do Judiciário: se um magistrado começar a temer decisões, não haverá mais Poder Judiciário nem Constituição.
Segundo o ministro, desde 2019 os membros do STF vêm sendo alvo de ameaças físicas e ataques à integridade de familiares, em virtude de decisões judiciais. Naquele ano, o então presidente da Corte, Dias Toffoli, determinou a abertura de uma investigação que ficou conhecida como Inquérito das Fake News e que permanece em andamento.

