Resumo: Estudo do Made-USP aponta que a estagnação ou cortes em benefícios sociais como aposentadorias, Bolsa Família e BPC pode frear a renda do interior do Brasil nos próximos três anos, com quedas de 6,8% a 10,8% sem reajustes reais. Em cidades interiores, tais transferências chegam a 40% da renda, fortalecendo a dependência dessas famílias. Regiões mais sensíveis incluem interior do RN, Amapá e Piauí; Ceará também registra elevada dependência. Fonte: Agência Brasil.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, o Made (Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades) da FEA-USP aponta que a estagnação ou cortes nos benefícios sociais — como aposentadorias, Bolsa Família e o BPC — podem frear de forma significativa a atividade econômica nas cidades do interior nos próximos três anos.
De acordo com o estudo, cerca de 4 mil dos 5.569 municípios brasileiros ficam fora das regiões metropolitanas; nesses locais, o peso das transferências públicas pode chegar ao dobro do observado nos grandes centros, destacando a dependência de famílias nessas regiões.
No Ceará, os benefícios respondem por 22% da renda da capital e região metropolitana; nas cidades do interior, esse patamar sobe para 40%, evidenciando a concentração de dependência no interior.
Impactos futuros
O Made/USP projeta os efeitos da evolução da renda vinda de benefícios para as cidades do interior nos próximos três anos, com base nos dados de 2022 a 2025, período em que houve crescimento real de BPC e aposentadorias, comparando com o intervalo de 2019 a 2022, quando não houve ganhos reais do salário mínimo.
O levantamento aponta que, sem os reajustes, a renda agregada do interior poderia recuar entre 6,8% e 10,8% em relação ao patamar com a valorização real dos benefícios.
“Isso geraria uma reação em cadeia na atividade econômica que atinge inclusive as famílias que não dependem do socorro público”, avaliou Luiza Nassif, co-diretora do Made-USP.
Os cenários mais críticos ocorreriam no interior do Rio Grande do Norte, do Amapá e do Piauí, onde a renda total cairia entre 17% e 18% sem o ritmo atual de aumento dos benefícios.
Amazonas, Sergipe e Pernambuco teriam perdas na casa dos 15%. Ceará, Maranhão, Alagoas e Bahia registrariam quedas entre 10% e 13%, enquanto Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Rio Grande do Sul e Santa Catarina poderiam chegar a 6,5%.
Os efeitos na pobreza
O estudo destaca que, além de impactos sobre renda e atividade econômica, os benefícios desempenham um papel decisivo no combate à pobreza.
A análise, divulgada pela Made/USP, evidencia a importância de políticas de transferência para manter o dinamismo econômico nas cidades fora das regiões metropolitanas.
Fonte: Agência Brasil.
Resumo
Levantamento aponta que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 pode empurrar 2,7 milhões de pessoas à pobreza, sendo 2,4 milhões em extrema pobreza. A Bahia aparece entre as maiores altas, com impactos significativos para famílias de baixa renda. Benefícios podem chegar a 50% da renda para lares com renda per capita de até 1,5 salário mínimo.
Bahia, Brasil — Um estudo apresentado por Nassif aponta que a ausência de ganhos reais nos benefícios sociais entre 2022 e 2025 pode elevar significativamente as taxas de pobreza no país, com impactos relevantes para a Bahia. Segundo o levantamento, cerca de 2,7 milhões de pessoas seriam empurradas para a pobreza, das quais 2,4 milhões migrariam para a extrema pobreza.
Entre as regiões, as maiores altas ocorreriam em estados como Bahia, São Paulo e Minas Gerais, conforme as simulações. Em números absolutos, o estudo aponta até 336 mil pessoas a mais na Bahia, 263 mil em São Paulo e 251 mil em Minas Gerais, seguidos por Maranhão, Pará e Ceará, cada um com mais de 200 mil pessoas.
Simulações indicam que a ausência de ganhos reais nos benefícios entre 2022 e 2025 tende a reduzir a renda efetiva de famílias de baixa renda. Para famílias com rendimento de até 1,5 salário mínimo per capita, os benefícios podem chegar a 50% do rendimento, o que aponta para um peso considerável das transferências na composição da renda.
“Olhando para o impacto que a queda de renda provoca, fica nítido o estrago que uma trava no crescimento dos benefícios pode fazer nas economias locais”, afirma Nassif.
“Manter a valorização real da previdência, do BPC e dos programas de transferência de renda é a garantia mínima de dignidade para as famílias e de sobrevivência para o comércio local no Brasil profundo”, acrescenta Nassif.
O estudo reforça que o ganho real dessas transferências influencia não apenas a dignidade de famílias vulneráveis, mas a dinâmica econômica de cidades de fins de vale e regiões rurais, especialmente no Extremo Sul da Bahia, destacando a importância de políticas estáveis de renda para manter o tecido social e o comércio local funcionando.

