O Palácio Itamaraty emitiu uma nota de repúdio nesta terça-feira (20) em resposta às novas ofensas proferidas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e à insinuada fraude nas eleições.
A pasta das Relações Exteriores classificou as declarações como uma nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro, afirmando que esse tipo de manifestação não condiz com a postura de um país amigo. Em nota, o Itamaraty reiterou que o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro e já recebeu reconhecimento de observadores eleitorais internacionais no primeiro turno.
“Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”, afirmou a pasta, citando a conduta de Milei nas últimas manifestações públicas.
Milei também divulgou nas redes sociais trechos de entrevista de Lula ao SBT e de um debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, acompanhando críticas ao líder brasileiro e insinuando que o pleito pode ser manipulado. Em outra publicação, o argentino chamou Lula de “autoritário” durante a campanha.
Em resposta a toda a sequência de declarações, o Itamaraty reforçou que o voto eletrônico no Brasil é seguro, sem registro de irregularidades, e observadores internacionais já validaram essa conclusão durante o primeiro turno das eleições.
Relações rebaixadas
As agressões verbais de Milei contribuíram para o esfriamento das relações bilaterais. Desde agosto, o Brasil não mantém mais embaixador na Argentina, e o embaixador argentino foi solicitado a deixar Brasília. Atualmente, o Brasil é representado no país vizinho por um Encarregado de Negócios.
Em 26 de julho, o embaixador brasileiro Bitelli foi convocado a retornar a Brasília após Milei ter xingado Lula em convenção do Partido Liberal (PL), que indicou o senador Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência. Na ocasião, Milei também atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator de processo envolvendo o pai de Flávio Bolsonaro.
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e os dois países são os maiores sócios do Mercosul, com economias fortemente integradas, especialmente nos setores automotivo e industrial, conforme o panorama regional.

