Itamaraty acusa Milei de tentar influenciar eleição brasileira

Escrito por: Diógenes Cunha

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Resumo jornalístico: O Palácio Itamaraty emitiu nota de repúdio nesta terça-feira (20) às ofensas proferidas pelo presidente argentino Milei contra Lula e às insinuações de fraude nas eleições. O texto oficial destaca que tais declarações afetam a democracia e reforça a segurança do voto eletrônico. O episódio agrava as relações Brasil-Argentina, já marcadas pelo rebaixamento diplomático, com a atuação de um Encarregado de Negócios. Palavras-chave: Milei, Lula, Itamaraty, voto eletrônico, Brasil-Argentina, embaixada.

O Palácio Itamaraty emitiu uma nota de repúdio nesta terça-feira (20) em resposta às novas ofensas proferidas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e à insinuada fraude nas eleições.

A pasta das Relações Exteriores classificou as declarações como uma nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro, afirmando que esse tipo de manifestação não condiz com a postura de um país amigo. Em nota, o Itamaraty reiterou que o sistema brasileiro de voto eletrônico é comprovadamente seguro e já recebeu reconhecimento de observadores eleitorais internacionais no primeiro turno.

“Essa antidemocrática manifestação é inaceitável, desequilibrada, e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”, afirmou a pasta, citando a conduta de Milei nas últimas manifestações públicas.

Milei também divulgou nas redes sociais trechos de entrevista de Lula ao SBT e de um debate entre Lula e Flávio Bolsonaro, acompanhando críticas ao líder brasileiro e insinuando que o pleito pode ser manipulado. Em outra publicação, o argentino chamou Lula de “autoritário” durante a campanha.

Em resposta a toda a sequência de declarações, o Itamaraty reforçou que o voto eletrônico no Brasil é seguro, sem registro de irregularidades, e observadores internacionais já validaram essa conclusão durante o primeiro turno das eleições.

Relações rebaixadas

As agressões verbais de Milei contribuíram para o esfriamento das relações bilaterais. Desde agosto, o Brasil não mantém mais embaixador na Argentina, e o embaixador argentino foi solicitado a deixar Brasília. Atualmente, o Brasil é representado no país vizinho por um Encarregado de Negócios.

Em 26 de julho, o embaixador brasileiro Bitelli foi convocado a retornar a Brasília após Milei ter xingado Lula em convenção do Partido Liberal (PL), que indicou o senador Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência. Na ocasião, Milei também atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes, relator de processo envolvendo o pai de Flávio Bolsonaro.

O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e os dois países são os maiores sócios do Mercosul, com economias fortemente integradas, especialmente nos setores automotivo e industrial, conforme o panorama regional.

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