Resumo: Lula vence o segundo turno e inicia seu quarto mandato, tornando-se o primeiro presidente brasileiro a alcançar essa marca em eleições diretas. A vitória, anunciada na noite de domingo, encerra uma trajetória marcada por controvérsias políticas, prisões, anulações de condenações e uma recuperação política que culminou na vitória de 2022.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito para um quarto mandato no Brasil, ao vencer o segundo turno deste domingo, com a contagem encerrada por volta das 21h08. A vitória representa um marco histórico por consolidar a trajetória política de Lula em apenas um quarto mandato vitorioso, ampliando seu conjunto de mandatos diretos. A confirmação ocorreu em meio a uma disputa marcada por reviravoltas amplas ao longo de décadas de atuação pública, incluindo períodos de grande apelo popular e intensas controvérsias políticas.
Trajetória política sob controvérsias — O percurso de Lula desde a década de 2010 foi fortemente impactado pela Operação Lava Jato, iniciada em 2014. Em 2016, o petista tornou-se alvo central da investigação, sofreu condução coercitiva e teve a nomeação para a Casa Civil suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nos dias que antecederam o impeachment de Dilma Rousseff.
Condenações e prisão — Em 2017, Lula viu sua vida pública abalada pela condenação no caso tríplex do Guarujá, julgada pelo então juiz Sergio Moro. A pena foi ampliada pelo TRF-4 para 12 anos e 1 mês de prisão, e o ex-presidente se entregou à Polícia Federal em abril de 2018, permanecendo afastado por 580 dias na Superintendência da PF em Curitiba.
Vindos de tempos de incerteza — Enquanto estava na prisão, o país assistiu a revelações associadas à Vaza Jato, que expuseram diálogos entre Moro e procuradores. Em novembro de 2019, o STF derrubou a possibilidade de execução da pena em segunda instância, levando à saída de Lula da prisão. Em 2021, as condenações foram anuladas pelo ministro Edson Fachin, em decisão que também reconheceu a parcialidade de Moro no processo.
Retorno à vida pública e posse — Com os direitos políticos restabelecidos, Lula se casou com Rosângela da Silva, a Janja, em 2022. Na eleição daquele ano, derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, vencendo com 50,9% dos votos válidos. A posse ocorreu em janeiro de 2023, marcada pela ausência de Bolsonaro na cerimônia e pelos desdobramentos dos ataques de 8 de janeiro aos prédios dos Três Poderes.
Desafios recentes — O mandato seguinte também foi marcado por momentos de instabilidade, incluindo uma cirurgia de emergência em 2024 para drenar uma hemorragia intracraniana. Em 2025, a apreciação internacional trouxe tensões, com Estados Unidos adotando tarifa de 50%, e o Supremo Tribunal Federal proferindo condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Origens eleitorais — A trajetória de Lula teve início em 1989, na primeira eleição direta para presidente desde 1960, chegando ao segundo turno contra Fernando Collor. A campanha daquele ano terminou com Lula recebendo cerca de 47% dos votos válidos, num pleito ainda marcado pela polêmica edição do último debate televisivo.
Resumo: Conta a trajetória de Lula, com derrotas em 1994 e 1998 diante de Fernando Henrique Cardoso, a virada em 2002 com o slogan “Lulinha paz e amor” e a Carta ao Povo Brasileiro; mandatos marcados por Bolsa Família, PAC, Lava Jato e o debate sobre o quarto mandato, entre avanços sociais e crises políticas.
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Brasil acompanhou a trajetória de Lula, marcada por derrotas nas eleições de 1994 e 1998 para Fernando Henrique Cardoso, impulsionadas pela estabilização econômica iniciada pelo Plano Real.
A virada ocorreu em 2002, quando o petista moderou o discurso, adotou o slogan “Lulinha paz e amor”, escolheu José Alencar como vice e divulgou a Carta ao Povo Brasileiro, na qual se comprometeu a respeitar contratos e manter a estabilidade econômica. Lula venceu José Serra no segundo turno, com 61% dos votos válidos, e tomou posse em 2003 como o primeiro operário a presidir o país.
No primeiro mandato, houve a criação do Bolsa Família e o crescimento econômico, mas também o escândalo do mensalão em 2005, que derrubou o ministro José Dirceu e abalou a cúpula petista. Mesmo assim, Lula foi reeleito em 2006, vencendo o tucano Geraldo Alckmin no segundo turno.
O segundo mandato consolidou a popularidade, com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a resposta à crise financeira de 2008 e a escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014 e dos Jogos Olímpicos de 2016. Lula deixou o cargo em 2010 com aprovação acima de 80% e conseguiu apoiar a eleição de Dilma Rousseff.
Fora do Planalto, Lula enfrentou um câncer de laringe em 2011 e manteve-se como principal fiador político de Dilma, reeleita em 2014. Em 2016, a deflagração da Operação Lava Jato abriu o capítulo que o colocaria no centro das investigações a partir de 2016, iniciando a montanha-russa política que o acompanharia até a conquista de seu quarto mandato presidencial.

