Angicos (RN) recebe reconhecimento de Patrimônio Cultural Imaterial pela experiência de alfabetização de 1963, “40 Horas de Angicos”, que alfabetizou 300 de 380 participantes em 40 horas, liderada por Paulo Freire. Publicação no Diário Oficial (27) sustenta a memória, as práticas pedagógicas e o legado do educador; o reconhecimento não altera currículos nem obriga adoção de métodos.
Angicos, Rio Grande do Norte, foi o cenário de uma experiência de alfabetização inovadora em 1963, liderada por Paulo Freire. A iniciativa, conhecida como “40 Horas de Angicos”, alfabetizou 300 de 380 trabalhadores em apenas 40 horas de aula, entre 28 de janeiro e 2 de abril, em Angicos, no interior potiguar. O método utilizava as chamadas palavras geradoras, a partir da vida real dos aprendizes, para construir vocabulário e compreensão do mundo.
A articulação da visita de Freire ao Rio Grande do Norte ocorreu a partir de 1962, com o então governador Aluísio Alves, nascido em Angicos, e a intermediação do secretário de Educação da época, Calazans Fernandes. A ideia era expandir o projeto por todo o estado para reduzir o analfabetismo; porém, Freire foi exilado em 1964, durante a ditadura militar, sob a acusação de subversão.
Reconhecimento recente aponta que o registro público não substitui os procedimentos de registro e inventário do patrimônio cultural nem impõe mudanças obrigatórias nos currículos das redes de ensino. A medida tem como objetivo preservar memórias, incentivar pesquisas e divulgar referências históricas e culturais ligadas ao projeto, além de valorizar o legado de Freire para as futuras gerações e o papel de Angicos na história da educação brasileira.
