Prêmio Para Elas destaca ações contra feminicídio em parceria entre TV Brasil e Petrobras
RESUMO: Finalistas da categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas 2026 são Bahia, Botafogo e Internacional; a cerimônia acontece em 15 de novembro no Museu do Futebol, em São Paulo.
A premiação promovida pelo PrimeiroJornal, com foco em ações de combate ao assédio e à violência de gênero, reserva à categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio a valorização da atuação de clubes da elite do futebol nacional. Nesta segunda-feira (2), foram divulgados os finalistas da edição de 2026: Bahia, Botafogo e Internacional. A decisão será conhecida durante a cerimônia no Museu do Futebol, em São Paulo, no dia 15 de novembro.


Segundo o estudo Retrato dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), 1.568 mulheres foram mortas em crimes de gênero em 2025 — equivalente a um assassinato a cada 5 horas e 36 minutos —, e o número representa crescimento de 4,7% em relação a 2024. A maioria das vítimas é negra (62,6%), com predomínio na faixa etária entre 30 e 39 anos (28,3%).
Ao analisar casos entre 2021 e 2024, o FBSP aponta 5.729 feminicídios, dos quais 66,3% ocorreram dentro da residência da vítima e mais de 80% foram cometidos pelo parceiro íntimo atual (59,4%) ou antigo (21,3%). Os dados são coletados a partir de Boletins de Ocorrência das Polícias Civis.
A escolha dos finalistas ocorreu por meio de votação de um júri exclusivamente feminino, reunindo jornalistas, comunicadoras, personalidades e profissionais que acompanham a modalidade ou atuam em pautas de igualdade de gênero. A composição buscou diferentes experiências e perspectivas para avaliar iniciativas sob o olhar esportivo e social.
A cerimônia de anúncio do clube vencedor deverá ocorrer no Museu do Futebol, em São Paulo, no dia 15 de novembro. Além do campeão, serão revelados os vencedores das demais categorias — Craque da Torcida, Jogadora Revelação, Melhor Treinador(a), Melhor Jogadora, Artilheira, Gol Mais Bonito, Melhor Departamento de Futebol Feminino e Seleção da Temporada — durante o evento.
No início da temporada, o Bahia aderiu à campanha Feminicídio Zero, promovida pela Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo do estado. Antes do duelo contra o Galícia, pela terceira rodada do Campeonato Baiano na Arena Fonte Nova, Faixas de conscientização foram exibidas e os jogadores entraram com uma camisa roxa criada pela campanha; uma unidade móvel externa ofereceu acolhimento e orientações sobre serviços de proteção.
No Brasileirão masculino, o clube lançou a ação Terceiro Tempo, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a agência Propeg, com objetivo de alertar para o aumento de violência de gênero com base no estudo Futebol e Violência contra a Mulher, também do FBSP. Segundo a pesquisa, em dias de jogo, os registros de ameaças sobem 27,4% e as lesões por violência doméstica crescem 28,8%.
Após a partida contra o Internacional, em 30 de agosto, na Fonte Nova, um grupo de mulheres — influenciadoras, torcedoras, colaboradoras do Bahia e outras convidadas — permaneceu na arquibancada leste do estádio. Acima delas, o letreiro trazia a frase: “Hoje, ficar no estádio é mais seguro que em casa”.
O Botafogo conta, desde 2022, com o projeto A Hora Delas.
Estádios do Rio de Janeiro e do sul do Brasil ampliam ações de combate à violência contra a mulher, integrando o programa institucional de clubes com apoio de órgãos de segurança. No Rio, o Estádio Nilton Santos passou a oferecer um posto para recebimento de denúncias, em parceria com a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) e o Juizado Especial Criminal (Jecrim), além de treinamentos para funcionários nas partidas.
Hora Delas marca a presença feminina em campo e nas camisas; durante a partida contra o Remo, em Belém, o elenco visitante vestiu a camisa Hora Delas, alusiva ao Outubro Rosa, com listras verticais rosas e brancas inspiradas na sakura, destacando a pauta de gênero.
Em outra frente, o duelo envolvendo o time conhecido como Glorioso ocorreu com uma intervenção visual ligada a radiografias de mulheres vítimas de violência: números nas costas foram redesenhados a partir de imagens reais, numa ação exibida na Neo Química Arena, em jogo contra o Corinthians em 30 de novembro do ano anterior; na barra frontal, a pergunta “quem matou?” aparecia acompanhada pelos nomes de mais de 40 vítimas de feminicídio.
Maria Von Ockel é citada como a primeira sócia mulher do Inter, em 2 de abril de 1918. Em 2025, o clube gaúcho instalou o Banco Vermelho no Beira-Rio, oferecendo espaço para mensagens de apoio e combate à violência de gênero, com o símbolo da cor vermelha representando o sangue das vítimas.
No mês de abril, o Museu do Inter recebeu o evento “Mulheres na Arquibancada e o Combate ao Feminicídio”, reunindo relatos de vítimas de assédio e violência, além de palestras de especialistas. A iniciativa foi promovida pelo núcleo feminino da Guarda Popular, com apoio do clube.
Já no último Campeonato Gaúcho masculino, em 8 de março, Inter e Grêmio entraram em campo com mensagens de combate à violência contra a mulher; antes do jogo, o telão do Beira-Rio exibiu o placar simbólico 20 a 0, referindo-se aos feminicídios no Rio Grande do Sul em 2026 até aquele momento, dentro da campanha “Não Maquie, Denuncie” promovida pelo governo estadual.






