Protesto com um tom eleitoral

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No Dia do Trabalho, centrais sindicais e apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveram manifestações em Minas, no Rio de Janeiro, em Brasília e em São Paulo, onde o pré-candidato do PT à Presidência da República discursou. No pronunciamento, o petista criticou Bolsonaro. ???Alguém melhor que esse presidente vai ganhar as eleições???, afirmou, aos gritos de “Lula guerreiro do povo brasileiro”. Lula falou na praça Charles Miller, em São Paulo. Após uma gafe cometida, ele iniciou seu discurso no evento em comemoração ao 1º de Maio com um pedido de desculpas aos policiais brasileiros. No sábado Lula disse que Bolsonaro ???não gosta de gente, gosta de policial??? e foi atacado por adversários nas redes sociais.
Ontem, Lula disse que, na verdade, queria dizer que Bolsonaro gosta ???de milicianos???. Ao falar sobre os policiais, disse que eles ???muitas vezes cometem erros, mas muitas vezes salvam muita gente do povo trabalhador???. ???E nós temos que tratá-los como trabalhador???, afirmou o ex-presidente. ???Eu escolhi o mês dos trabalhadores para pedir desculpas aos policiais que por acaso se sentiram ofendidos com o que eu falei ontem???, afirmou Lula. ???Nesse país não é habitual as pessoas pedirem desculpa. Eu, por exemplo, estou esperando há seis anos que as pessoas que me acusaram o tempo inteiro peçam desculpas???, disse Lula, ao falar sobre decisão de órgão da ONU sobre a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro para julgar o caso dele. 
Lula foi recepcionado no palco por dirigentes sindicais que puxaram coros de “olê, olê, olê, olá, Lula, Lula” e logo no início de sua fala sugeriu estar preocupado com eventual punição da Justiça Eleitoral por propaganda antecipada. ???Eu fiquei um pouco atrás (dos dirigentes) porque eu não posso falar de eleição. Eu estou aqui num ato de 1º de Maio para discutir o problema dos trabalhadores e das trabalhadoras desse país”, afirmou Lula. ???Eu ainda não sou candidato, só dia 7 eu vou ser pré-candidato”, acrescentou, para logo adotar um tom eleitoreiro e falar de projetos para um eventual governo seu.
A pré-candidatura do petista à Presidência será lançada no próximo sábado (7) em um evento em São Paulo. O provável vice do petista, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB), também deve participar. ???Logo, logo vai estar tudo formalizado e nós vamos acordar num belo dia do mês de outubro, agradecendo a Deus e agradecendo à liberdade. E vamos agradecer porque a liberdade finalmente abriu as asas sobre o povo brasileiro, e nós vamos voltar a ter um país civilizado”, afirmou o petista.
Em BH, centenas de manifestantes se reuniram na Praça Afonso Arinos, no Centro, no ato pelo Dia do Trabalho, de onde seguiram para a Praça da Assembleia Legislativa, no Bairro Santo Agostinho, onde foi realizada a manifestação. Organizada pelas centrais sindicais e movimentos sociais, a manifestação assumiu tom de crítica aos governos de Jair Bolsonaro (PL) e de Romeu Zema (Novo).
O professor Geraldo Magela da Trindade, de 68 anos, foi à praça se manifestar contra a situação econômica do país. Ele defende a necessidade de mudanças para reduzir o desemprego e o alto custo de vida que corrói o bolso do brasileiro. ???Venho protestar contra as perdas da classe trabalhadora, que sofre com o desemprego. São mais de 12 milhões de desempregados. Assistimos ao aumento da miséria, com o crescimento da população em situação de rua. A alimentação, gás de cozinha e combustível estão mais caros. Esse quadro desfavorável nos motiva a vir para as ruas???, afirmou.
 
 

Brasília e São Paulo

Em Brasília, a manifestação contra o presidente Bolsonaro  e para comemorar o Dia do Trabalho ocorreu a cerca de 6km do ato a favor de Bolsonaro realizado na manhã de ontem. Ao todo, seis centrais sindicais e partidos da oposição ??? PSB, PCdoB, PSOL, PV, PCB, PSTU ??? organizaram o ato. Em defesa de pautas sociais, os manifestantes pediram o fim da inflação, teto de gastos públicos e reforma trabalhista. 
Na concentração, houve um show e discursos contra o governo. Em seguida, ocorreu uma caminhada. A cor vermelha, em referência ao PT, predominou. Muitas pessoas vestiam a camiseta da CUT, empunhavam bandeiras de partidos e cartazes com sátiras a Bolsonaro. Uma faixa escrita ???geração 68??? foi estendida no gramado ??? uma referência ao protesto de estudantes franceses que reivindicavam mudanças no país. Por outro lado, os partidos pediam, em suas faixas, pela saída de Bolsonaro do governo.
Em São Paulo, os opositores de Bolsonaro e apoiadores do ex-presidente e pré-candidato Lula (PT) se reuniram em frente ao estádio do Pacaembu. Nas palavras de ordem, os manifestantes pedem voto em Lula e chamam Bolsonaro de ???fascita??? e ???genocida???. A alta de preços de itens como alimentos e gasolina também foi muito criticada. Pré-candidato ao governo de São Paulo pelo PT, Fernando Haddad esteve presente ao ato e bradou: ???Ele (Jair Bolsonaro) é um presidente de meio período. Na metade do dia, destrói o país. Na outra metade, brinca de jet ski e de moto. Vamos conter esse homem.???

Pacheco critica atos antidemocráricos

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), se manifestou por meio de uma rede social sobre as manifestações no 1º de Maio. Ele critica atos antidemocráticos e ilegítimos que se apresentaram  pelo Brasil. Em sua conta do Twitter, Rodrigo Pacheco escreveu: ???Manifestações populares são expressão da vitalidade da democracia. Um direito sagrado, que não pode ser frustrado, agrade ou não as instituições. O 1º de Maio sempre foi marcado por posições e reivindicações dos trabalhadores brasileiros.???
E continuou em outra postagem: ???Isso serve ao Congresso, para a sua melhor reflexão e tomada de decisões. Mas manifestações ilegítimas e antidemocráticas, como as de intervenção militar e fechamento do STF, além de pretenderem ofuscar a essência da data, são anomalias graves que não cabem em tempo algum.???

Esvaziamento

Os atos ontem foram marcados pelo número de participantes menor do que o esperado pelos organizadores, que ensaiam os primeiros movimentos para a campanha eleitoral deste ano. Presidente da UGT, Ricardo Patah reconheceu que os organizadores esperavam mais participantes na manifestação. ???Não adianta choramingar. Esse é o exército com que contamos para ir às ruas em defesa da democracia e do trabalhador???, disse. O presidente da CUT, Sérgio Nobre, disse que não se trata de quantidade, mas de qualidade da presença.
???Aqui não tem sorteio de carro, nem mega-show, para atrair gente. ?? a qualidade de público???. Durante o ato, organizadores pediram que presentes fossem para a lateral do palco. O ato, contudo, não contou com a participação de todas as centrais sindicais. A CSB, ligada ao PDT de Ciro Gomes, não participou. Ciro disse que enviaria uma carta para ser lida durante os discursos, mas o documento não foi recebido. 
 
 

A missa voltou

A tradicional Missa do Trabalhador voltou a ser realizada ontem, na Paróquia de São José, em Contagem, na Grande BH, após dois anos sem celebrações com público, em virtude da pandemia do coronavírus. Desta vez, porém, a cerimônia eucarística, presidida pelo bispo Dom Nivaldo Ferreira, não ocorreu na Praça da Cemig, como era em anos anteriores. Em 2022, o tema da celebração foi ???O trabalho que humaniza e a Igreja Sinodal: caminhar juntos na comunhão, participação e missão???. Os celebrantes fizeram questão de ressaltar a importância do trabalho no processo de evangelização das famílias.  “Realizamos essa missa na paróquia de São José Operário. Celebramos hoje (ontem) também o Dia do Trabalhador, aos quais parabenizamos, mas principalmente, elevamos nossa prece. Nos reunimos em assembleia litúrgica, na nossa comunidade paroquial, mas se Deus Quiser retomaremos nossa tradição de realizar a Santa Missa na Praça da Cemig???, afirmou Dom Nivaldo. Houve também uma oração especial para aqueles que estão desocupados no país. Na missa, foram abençoadas as carteiras de trabalho e objetos pessoais trazidos pelos fiéis, em sinal de fé e busca pela proteção e intercessão de São José Operário no trabalho de todos os dias.
 
 

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