“Não consegui dormir”, diz aluna de Medicina roubada após sair de faculdade

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Toda vez que tentava fechar os olhos, as cenas vinham na cabeça. “Eu não consegui dormir”, desabafou a estudante do curso de Medicina, que foi perseguida e roubada após sair da Centro Universitário UniFTC, a antiga Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC), no bairro de Pituaçu, na manhã desta terça-feira (29). 

Na tarde de quarta-feira (30), a Polícia Civil divulgou que identificou “um possível suspeito” de ter cometido o crime. No entanto, não deu mais detalhes. A PC informou ainda que imagens do circuito de câmeras estão sendo analisadas.

A estudante de Medicina disse que ainda está abalada. “Eu hoje fui na psiquiatra e ela me passou medicação para pós-trauma. Agora eu só não quero sair de casa”,  disse ela. O seu futuro na faculdade ainda é incerto. “Eu ainda não sei [se vai voltar a estudar lá]. Eu não parei pra pensar nisso ainda. Não sei dizer ainda a respeito disso”, declarou. 

Alunos protestam 
Em solidariedade ao ocorrido com a estudante instantes depois de deixar a UniFTC, estudantes de Medicina protestaram contra a insegurança nesta quarta. Cerca de 180 alunos não compareceram às aulas das 7h30 até 11h e das 15h às 17h.

 “A direção disse que as aulas teriam de qualquer forma. Então, nos mobilizamos. Todo mundo ficou em casa. Alguns professores foram solidários à causa e não vieram. Outros optaram pela aula remota”, disse um dos alunos. 

Além de pedir uma apuração rigorosa da instituição em relação ao caso e do medo que se espalhou no campus, os estudantes pediram ainda à UniFTC um controle das pessoas que têm acesso à unidade. “Mas a direção disse que não poderia impedir a entrada de outras pessoas porque alugou uma parte do estacionamento para uma igreja e uma escola, e também tem funcionado um salão de beleza dentro do centro universitário”, declarou uma aluna. 

Em nota, a UniFTC informou que zela pela integridade de toda a comunidade acadêmica e que reforçou a segurança interna “tanto na qualidade técnica e na quantidade de profissionais, quanto no tocante ao serviço de videomonitoramento institucional”. Confira a nota da instituição na íntegra:

A Rede UniFTC vem a público esclarecer que são inverídicas as notícias que estão sendo divulgadas nas redes sociais e em grupos de mensagens instantâneas sobre a ocorrência de assalto dentro das salas de aulas e estacionamento do Centro Universitário UniFTC Salvador.

Na noite da última terça-feira, 29 de março de 2022, uma viatura do grupamento militar fazia ronda nas imediações e dentro do Campus quando algumas pessoas interpretaram indevidamente a ação e repercutiram nos grupos de whatsapp como sendo uma ocorrência policial em decorrência de eventual assalto. 

�? importante afirmar que, há cerca de quinze dias, a Instituição tomou conhecimento de um assalto ocorrido no trajeto entre o metrô e a o Centro Universitário e, como medida protetiva à comunidade acadêmica, reforçou a segurança interna, bem como acionou a Polícia Militar da Bahia pedindo reforço no policiamento das imediações da Instituição, solicitação que foi prontamente atendida. O Grupo Educacional destaca que acompanha e compreende todo o momento vivido na sociedade, no que diz respeito a segurança pública, e acredita no comprometimento dos governantes na busca incansável e assertiva na solução desse problema de ordem nacional. 

Em relação ao sequestro relâmpago sofrido pela estudante do curso de Medicina, a Rede UniFTC lamenta profundamente o ocorrido, bem como reforça que já realizou contato com a universitária e se disponibilizou a ajudá-la no que for necessário. Contudo é de suma importância esclarecer que a perseguição descrita pela graduanda não ocorreu dentro do estacionamento ou próximo ao Centro Universitário, sendo tal afirmação confirmada através do videomonitoramento realizado diuturnamente pela equipe de segurança da unidade de ensino. Reiteramos que as imagens monitoradas foram devidamente disponibilizadas aos órgãos competentes para as tratativas necessárias. 

A Instituição afirma que segue adotando todas as medidas de segurança cabíveis para continuar garantindo a integridade do corpo acadêmico, entre elas o aumento do contingente da segurança patrimonial e ampliação dos pontos de videomonitoramento.

Por fim, a UniFTC reforça que repudia toda e qualquer disseminação de informação inverídica, em qualquer plataforma de comunicação. A Rede de Ensino declara que preza pela integridade física e emocional da sua comunidade acadêmica, composta por estudantes, professores, colaboradores e usuários dos serviços oferecidos pela Instituição.
 

O caso
A estudante de Medicina foi assaltada e mantida dentro do carro com os suspeitos por cerca de 1h após ter sido perseguida na saída da UniFTC. Os suspeitos roubaram uma corrente de ouro, um iPad e o veículo da vítima.

Ela registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil e informou que três homens a interceptaram na Rua Sítio do Pombal e dois deles entraram no seu carro, um Jeep Compass alugado, que foi recuperado ainda pela manhã.

A vítima compartilhou um relato em um aplicativo de mensagens e afirmou que, quando saiu da faculdade por volta das 10h50 e entrou no carro, viu uma caminhonete branca que queria ultrapassá-la. �??Eles me ultrapassaram e mudaram de faixa, aí segui meu caminho. Quando já estava perto de casa em uma rua mais parada, eles me ultrapassaram novamente e pararam a caminhonete atravessada na frente do meu carro, desceram dois homens armados e bateram com a pistola no meu vidro, mandando eu descer do carro�?�, contou.

Ela detalhou que um desses homens abriu a porta do Jeep e a puxou pelo braço, jogando-a no banco de trás. �??O outro entrou comigo atrás do carro com a pistola na minha cabeça, me mandou ficar quieta, abaixar a cabeça e estender a mão. Ele amarrou meus braços com um lacre e eles saíram rodando comigo dentro do carro�?�, explicou.

Enquanto a estudante estava no carro, os dois homens mexeram na bolsa dela e pegaram o iPad e a carteira. �??Quando eles me tiraram do banco da frente, meu celular estava no meu colo, aí prendi ele nas minhas pernas e quando ele me jogou no banco de trás, o celular caiu no chão e eu chutei ele pra debaixo do banco�?�.

Ela afirmou que os homens também tentaram fazer uma transferência bancária usando o iPad, mas não conseguiram. �??Depois eles me soltaram em uma rua sem asfalto no IAPI e pessoas que passavam pelo local me prestaram socorro, ligaram pra polícia e para meu marido�?�, finalizou.

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