Agostinho Patrus deve disputar novo mandato de deputado estadual em outubro

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O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Agostinho Patrus (PSD), tem os próximos passos em aberto após abrir mão da candidatura ao cargo de vice-governador na chapa do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil na disputa pelo Executivo estadual em outubro. Com o fim do mandato este ano, o parlamentar discutiu suas possibilidades com aliados ontem. A informação  foi confirmada por uma fonte ao Estado de Minas, que revelou que Agostinho Patrus deve tentar novo mandato de deputado estadual. Caso consiga, o parlamentar não teria uma nova oportunidade de ocupar a presidência do Parlamento mineiro, já que desempenha a função desde 2019 e o regimento interno da casa permite apenas duas reconduções. A reportagem tentou contato com a assessoria do parlamentar para confirmar a informação, mas não obteve retorno.

 

A desistência de Agostinho Patrus faz parte das articulações para aliança entre Alexandre Kalil e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato ao Palácio do Planalto, para quem ambos tenha palanque único no estado. Dessa formalização, a vaga de vice de Kalil deve ficar com o PT. Conforme apurou o Estado de Minas, o deputado estadual André Quintão é o mais cotado. Reginaldo Lopes, que deve abandonar a pré-candidatura ao Senado para facilitar a aliança, também é cotado. Ele afirma, entretanto, que o martelo não está batido sobre a sua desistência. ???Não há nada resolvido. Lula me pediu para coordenar o processo. A partir dessa convocação, vou começar as conversas???, disse ele na terça-feira.

 

Como compensação pela possível desistência ao Senado, Reginaldo Lopes vai coordenar a campanha de Lula e Alckmin à Presidência. Kalil já se reuniu com deputados do PT para debater a parceria. O nome preferido dele para ser seu vice-candidato era mesmo o de Agostinho Patrus, que também participou do encontro com os parlamentares petistas. Interlocutores disseram à reportagem que, diante das ameaças de a candidatura ao governo nem sequer sair do papel por causa dos impasses internos no PSD, Agostinho não estará na chapa. O Estado de Minas apurou que ele já avisou à bancada estadual petista que abre mão de ser o vice de Kalil.

 

As conversas para garantir o palanque Lula-Kalil em Minas se intensificaram no fim de semana passado, com reuniões em São Paulo. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, desempenhou papel importante nas reuniões para destravar a aliança. Deputados do PSD que defendiam apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) devem ter liberdade para decidir em outubro.

 

Líder da oposição ao governo de Romeu Zema (Novo) na Assembleia, o deputado André Quintão é bem-visto por Kalil. Quintão é do grupo político do deputado federal petista Patrus Ananias. Essa ala do partido teve atuação na prefeitura durante os cinco anos de Kalil. No início do primeiro mandato, Kalil escolheu a assistente social Maíra Colares para a secretaria de Assistência Social, Segurança Alimentar e Cidadania após Patrus recusar o convite.

 

Desde o início deste ano, o impasse para formalização da aliança entre Lula e Kalil estava na disputa pelo Senado. Enquanto os petistas trabalhavam para construir a candidatura de Reginaldo Lopes, o PSD deixava explícito que Alexandre Silveira concorrerá à reeleição. Em cenário no qual Kalil e Agostinho seriam os nomes ao governo, com Alexandre na disputa pelo Senado, a chapa teria apenas nomes pessedistas. Por isso, o PT reivindicava espaço formal na coalizão.

 

Na segunda-feira, a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, deputada federal pelo Paraná, afirmou que Reginaldo Lopes será o coordenador da campanha presidencial de Lula em Minas. “Importante conversa com Lula e com o companheiro Reginaldo Lopes, que vai conduzir a construção do palanque Lula-Kalil e coordenar a campanha de Lula e [Geraldo] Alckmin no estado. Juntos para vencer em Minas e no Brasil”, escreveu a dirigente, no Twitter

 

A declaração de Gleisi sobre a cessão do posto de coordenador da campanha a Reginaldo tem sido interpretada por petistas como o recado que sepulta as chances de ele concorrer ao Senado. Ele, porém, adotou tom ameno ao tratar do tema.

 

“Recebi a missão de Lula para coordenar sua campanha e de Geraldo Alckmin em Minas. Continuamos os diálogos com o PSD e nossos aliados no projeto pela retomada da democracia e reconstrução do Brasil, que só é possível com Lula presidente”, afirmou ele na segunda-feira.

 

Em entrevista à sucursal da Zona da Mata e do Campo das Vertentes da TV Alterosa, na segunda-feira, Kalil disse que as tratativas com o PT estavam “andando”. “O presidente Lula anunciou para todo mundo que o candidato que ele quer é o Kalil. Eu já declarei, inclusive, o voto dele. Lula e Kalil não têm problemas. Vamos marchar juntos. Não vai haver o menor problema”.

 

Antes das reuniões em São Paulo, o PT de Minas trabalhava em duas frentes: além de manter o diálogo em prol de Kalil, também dava forma à candidatura de Reginaldo ao Senado. Prova disso é que, na sexta-feira passada, dirigentes fizeram reunião para reafirmar o desejo de ter nome próprio na corrida pela vaga no Senado. O encontro serviu, inclusive, para, naquele momento, dar recado a dissidentes que já defendiam abertamente o apoio a Silveira.

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