Mãe diz estar ‘indignada’ após adolescente que matou amiga em Cuiabá ser solta

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A mãe de Isabele Ramos, jovem que foi morta com um tiro na cabeça pela amiga em Cuiabá, em 2020, lamentou nesta quinta-feira (9) a liberação da adolescente que matou a filha. A jovem foi solta ontem. 

“Estou indignada, surpresa, aflita. Minha filha não foi morta com uma arma de gatilho simples, mas uma arma que teve que ser municiada, alimentada e carregada. A atiradora era perita nisso”, disse Patrícia Ramos ao G1.

A adolescente de 16 anos foi condenada pela morte da amiga. Uma decisão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso (TJMT) decidiu pela soltura dela na noite de ontem. 

Ao invés de homicídio doloso, a Justiça passou a considerar o crime como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, beneficiando a adolescente. 

A mãe da vítima não concorda com a mudança. “(Isabele) foi morta sem qualquer chance de defesa. Desqualificar esse crime de doloso para culposo é inconcebível. Não vou me calar diante de tamanho absurdo”, diz.

A adolescente cumpria pena de três anos no Lar Menina Moça, na capital do Mato Grosso. Ela ficou internada, ao todo, por 1 ano e cinco meses. 

Na decisão, os desembargadores se dividiram, com dois deles optando por manter a sentença de condenação da adolescente e outros dois afirmando que ela deveria ser alterada. Com o empate, permaneceram os dois votos pela alteração. 

O Ministério Público pode recorrer da decisão.

Inquérito
Para a polícia, a adolescente deixou o estojo com uma das armas em cima de um móvel no quarto dela. Foi até o banheiro, e dentro dele, disparou contra Isabele a 20 ou 30 centímetros de distância, em uma altura de 1,44 centímetros. O tiro entrou no nariz e saiu pela nuca.

A defesa da garota que atirou afirma que não houve intenção e que o disparo foi acidental. A adolescente teria disparado sem querer ao tentar segurar a case que caiu no chão.

A polícia conclui que a menina tinha consciência dos riscos ao apontar a arma para a amiga. Ela treinava tiro com o pai, que é empresário, e tinha conhecimento técnico, afirmou o delegado Wagner Bassi, da Delegacia Especializada no Adolescente. 

“Era uma adolescente treinada, capacitada. Quando fazemos treinamento de tiro, antes de pegar na arma, aprendemos uma situação que chama segurança. Aprendemos a desmuniciar e olhar se a arma está carregada. Ela tinha capacitação de segurança”, considerou. 

A arma usada no crime era da família do namorado da jovem que disparou. O adolescente de 16 anos levou as armas para a casa dela. Ele as deixou lá temendo ser parado em uma blitz. O garoto vai responder por ato infracional análogo a porte ilegal de arma de fogo.

O pai da suspeita vai responder por homicídio culposo, quando não há intenção de matar; posse ilegal de arma de fogo; entregar arma para adolescente e fraude processual. Ele mexeu na cena do crime, mesmo sendo alertado por um enfermeiro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). 

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