Comerciantes e moradores lamentam “despejo” de food trucks em praça

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Resumo: A Praça Silvio Romero, tradicional ponto de encontro da zona leste de São Paulo, viu a maioria dos food trucks serem removidos pela prefeitura. Dos 25 carrinhos que circulavam no local, apenas quatro permaneceram, com encerramento precoce das atividades. A ação foi justificada pela ausência de licenças para operar na via, e o programa To Legal não oferece licenças para aquele endereço, segundo a gestão municipal. Há expectativa de inclusão da praça no sistema no primeiro semestre de 2026, com permissões temporárias de até 90 dias, renováveis. Moradores, comerciantes e trabalhadores lamentam a perda de movimento e discutem o caminho da regularização, que ainda não está claro, enquanto a cidade busca equilibrar espaço público, circulação de pedestres e bem?estar da população.

A praça, que historicamente recebeu carrinhos com hot dogs, churros e sobremesas, funcionava como vitrine de encontro entre famílias, jovens e trabalhadores da região. A própria forma de atendimento variou com o tempo, e uma parte dos vendedores afirma que, mesmo com tentativas ao longo dos anos, não houve uma via formal para regularizar o comércio ambulante ali. A percepção entre os envolvidos é de que o último carrinho aberto no local data de 2013, e o To Legal não contemplou o endereço, o que alimenta a sensação de injustiça entre quem atua há décadas.

Maryana Escobar, que manteve um food truck na praça por uma década, aponta que um chamamento público não deve beneficiar apenas o público em geral, sugerindo que muitos que já atuam ali acabam disputando uma vaga que já existe há muito tempo. “Depois de tantas reuniões, de idas à subprefeitura, falaram que iriam fazer um chamamento público, sendo que, como todos sabem, é para o público geral. Então, na prática, não regularizariam para nós, estariam mascarando uma resolução, porque a gente estaria disputando uma vaga de 30 anos aqui com uma pessoa que tem um carro e quer trabalhar.”

Ivo Júnior, que atuou no endereço por 39 anos, relata a perda do Termo de Permissão de Uso (TPU) do food truck após a morte do pai, que iniciou a história da família na região. “Não nos deram prazo nenhum, só disseram que estão agilizando esse processo. Estamos sem garantia. Uma luta de uma vida inteira corre o risco de ir por água abaixo”, afirma, ressaltando a preocupação com o futuro financeiro da família e do negócio familiar.

A retirada abrupta afetou também quem permanece com licenças, demonstrando o impacto em toda a dinâmica comercial da praça. João Filho Magalhães, que trabalha há 28 anos no mesmo ponto, observou que o atendimento até a madrugada foi interrompido pela nova restrição de funcionamento até a meia?noite. “A gente não consegue atender todo mundo. Chega o pessoal com fome, da balada, e a gente não pode atender. A praça movimenta muita gente, muito emprego. Então, ficando vazia, não é vantagem para ninguém”, aponta.

Moradores lamentam

Sival de Oliveira, que há 20 anos trabalha em uma banca de jornal na praça, viu a retirada com tristeza. “É uma tradição de muitos anos. Os dogueiros são o brilho da praça”, comenta, lembrando que o movimento caiu e que famílias passam a perguntar o que aconteceu. A praça sempre foi referência para a vizinhança e para quem frequenta a região da Mooca e bairros vizinhos, e a mudança deixou o ambiente mais deserto.

Roselene Aparecida, moradora da Vila Matilde de 55 anos, frequenta o espaço desde a década de 80. “A praça é bonita, grande, recebe muita gente. A retirada deles foi uma surpresa. Fiquei chateada”, afirma, destacando o papel social do espaço na vida de famílias que passam pela região.

Já o jovem Jo?o Victor, educador de química de 25 anos, notou a redução da presença de público. “A praça era bem movimentada. Com a retirada dos carrinhos, ela perdeu a vida, ficou quase deserta”, observa, evidenciando a relação entre o comércio de rua e a vitalidade do espaço público.

O poder público, por sua vez, explicou que o To Legal está passando por uma atualização para incluir a Praça Silvio Romero entre as áreas com autorização. A previsão é de que a mudança ocorra no primeiro semestre de 2026, com autorização de atuação na via por até 90 dias e possibilidade de renovação. A prefeitura afirma que a análise considera a capacidade do espaço, a circulação de pedestres, a mobilidade externa, o bem?estar de frequentadores, a limpeza e as condições de trabalho adequadas.

Embora explique o objetivo de tornar o espaço mais organizado, a prefeitura não detalhou por que a remoção não ocorreu antes, nem se os carrinhos que já atuavam há anos terão prioridade para a licença. A resposta não veio de forma clara, o que mantém a dúvida entre quem depende do movimento da praça para o sustento diário.

O futuro da Praça Silvio Romero depende de decisões que equilibrem interesse público, legitimidade de ocupação do espaço e a necessidade de manter viva uma tradição de dezenas de anos. Enquanto isso, moradores e comerciantes aguardam um desfecho que permita a regularização de forma justa e previsível, sem perder a identidade da praça nem a vitalidade que ela sempre proporcionou à região.

E você, o que pensa sobre o equilíbrio entre regularização, espaço público e tradição de comércio de rua na cidade? Compartilhe sua opinião nos comentários e conte como a situação afeta o seu dia a dia ou a vida da sua família na região da zona leste.

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