‘Precedente perigoso’: decisão de aborto nos EUA preocupa ativistas

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos na manhã desta sexta-feira (24/6)  que acabou com a garantia do direito ao aborto legal no país preocupa especialistas e ativistas brasileiros.
O direito tinha sido conquistado em 1973, em uma decisão histórica da Corte norte-americana que ficou conhecida como o caso Roe vs. Wade. Os EUA foram um dos pioneiros no mundo e nas Américas a legalizar o aborto.
De acordo com a pesquisadora e advogada da Anis – Instituto de Bioética, Gabriela Rondon, a decisão dos EUA pode lançar um “precedente muito perigoso??? para outros países. “Sempre há a possibilidade de retrocesso. Por muito tempo se considerou que era um direito garantido, consolidado, e mesmo assim foi possível reverter”, disse.
A advogada comenta também sobre o papel das cortes nos países, que não estaria sendo cumprido. “?? um enquadramento perverso, porque o papel das cortes é questionar as leis quando for observado que elas causam mais danos que proteção de direitos, como é por exemplo a proibição do aborto, que não diminui a prática e coloca mulheres em risco de vida”, explicou.

Impacto na América Latina

A especialista explica que as Cortes latino-americanas têm tido entendimentos menos conservadores na garantia de direitos fundamentais.
“Embora tenhamos o temor de que isso possa influenciar o nosso STF, temos exemplos muito robustos, como na Colômbia e no México, de que as cortes latino-americanas têm tido outra compreensão sobre direitos fundamentais de gênero que podem fazer frente à essa ameaça”, comentou Gabriela
Leia também: o que diz a lei sobre aborto no Brasil?

O direito ao aborto foi conquistado por meio da disputa judicial recentemente na Colômbia, em fevereiro de 2022. Uma votação da Suprema Corte colombiana aprovou, por 5 votos a 4, a legalização do aborto até a 24ª semana de gestação.

Já no México, o aborto foi descriminalizado em setembro de 2021, também em uma decisão da corte que declarou como inconstitucional a lei que determinava pena de prisão à quem praticasse. 

A notícia da decisão nos Estados Unidos tem repercutido nas redes sociais e divide opiniões.

*Estagiária sob supervisão do editor-assistente Rafael Alves

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

CNJ e CNMP aprovam regulamentação de ‘penduricalhos’ a integrantes do MP

Resumo curto: o CNJ e o CNMP aprovaram, de forma conjunta, uma resolução para regular pagamentos de auxílios a magistrados e integrantes do...

Professores municipais e estaduais do RJ paralisam atividades por 24 horas

Resumo rápido: Professores municipais e estaduais da cidade do Rio de Janeiro paralisaram por 24 horas para cobrar recomposição salarial e melhorias nas...

Não existe risco do espaço aéreo de SP fechar novamente, diz Anac

O espaço aéreo de São Paulo ficou temporariamente fechado nesta quinta-feira, entre 8h58 e 10h09, em decorrência de uma pane técnica no Centro...