Moradores do entorno da Cracolândia reclamam de dificuldades para transitar nas ruas

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A Cracolândia já existe há 30 anos. Desde então, os moradores do entorno vêm sofrendo. Diversas gestões diferentes comandaram a cidade, mas nenhuma solução foi aplicada. Os dependentes químicos mudam frequentemente de rua em rua. Cansados do caos, centenas de habitantes se mudaram do centro da cidade de São Paulo e venderam seus imóveis por valores abaixo do mercado, tamanho o desejo de deixar as moradias. Outro cenário que continua incomodando é a insegurança. Para transitar nos quarteirões é preciso montar estratégias a fim de se deslocar para o trabalho ou ao local de estudo, tanto na ida quanto na volta. O negócio é mudar totalmente a rotina devido ao medo de roubos e até mesmo de agressões.

Jason ??ngelo Ferro é músico e reside nas imediações da Cracolândia. Ele fala como é o seu cotidiano: ???Todo dia tem gente que é roubada, telefone??? Dá medo, eles só andam em bambo para roubar, dá medo sim, principalmente de madrugada. Mesmo que a polícia fique na porta, depois é cada um por si???. A farmacêutica Luciana Lanzilo diz que os dependentes químicos, após anos, deixaram a frente do edifício onde, próximo à praça Júlio Prestes, apelidada como Praça do Cachimbo, depois de uma recente ação policial. Ela revela que, para muitos, chega a ser insuportável e que muitas pessoas precisam de medicamentos por causa do estresse causado pela desordem. ???Os moradores, durante algum tempo, tiveram problemas de saúde, do tipo de precisar de medicação para dormir, porque eram sete dias da semana, 24 horas por dia sem dormir por conta do barulho intenso, mau cheiro e a degradação. Brigas, mortes, estupro, cenas de cunho sexual, convulsões, pessoas sendo carregadas em lençóis, é o mais absurdo que você possa imaginar vindo da janela da sua casa???, conta.

O sentimento da população nesta parte da capital paulista é de que as autoridades precisam, com urgência, voltar às atenções para a região e acabar de uma vez por todas com o jogo de empurra. Para os habitantes, não basta dispersar a multidão, é preciso atacar de frente o problema. ???O que nós moradores, hoje, nós podemos fazer esse comparativo de um antes e depois, mas para a gente ainda não é o suficiente. Não é remoção deles da nossa porta. A gente tira o problema da nossa calçada, mas continua na calçada de outro morador, continua no centro de São Paulo, que é um local histórico, local de comerciantes, de trabalhadores. Eu não posso ir ao supermercado, porque eu não sei se ele vai ser fechado a meia porta ou se, quando eu sair, eu vou ser atacada. E isso tem sido uma realidade diária???, afirma a farmacêutica.

*Com informações do repórter Daniel Lian

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