Funai critica desaparecidos por falta de autorização em viagem

Escrito por: Diógenes Cunha

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O Presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Marcelo Xavier, disse, nesta quinta-feira (9/6), em entrevista, que os desaparecidos, Bruno Araújo e Dom Philips, deveriam ter pedido autorização para realizar a viagem, já que a região é reconhecidamente perigosa por ser rota do narcotráfico. Os dois desapareceram desde o último domingo (6/6), em um trecho que vai da comunidade São Rafael até Atalaia do Norte, na terra indígena Vale do Javari.


“Muito complicado quando duas pessoas resolvem entrar na área indígena sem nenhuma comunicação formal aos órgãos de segurança, nem mesmo à Funai, que exerce sua atribuição dentro dessa área indígena”, alegou Xavier ao programa Voz do Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

O presidente informou que há um procedimento para a entrada em localidades como a do Vale do Javari, portanto ???de forma nenhuma??? a Funai emitiu autorização para o ingresso na área.

O processo, segundo ele, conta com apoio do Exército brasileiro, porque a ideia é evitar que indígenas achem que as pessoas são uma ameaça, garantindo a segurança dos expedidores. Além disso, a atitude ajuda a controlar a disseminação de doenças. ???Ali é uma área que nós sabemos que tem influência do narcotráfico”, declarou.

Bruno Araújo, no entanto, foi servidor de carreira da Funai e coordenava a área de Índios Isolados e de Recente Contato da Diretoria de Proteção Territorial da Funai (CGIIRC). Mesmo com profundo conhecimento relativo ao tema e da área, foi exonerado da função sem justificativa, em 2019.

O acontecimento ocorreu após Bruno ter gerido uma operação que desmontou o esquema de garimpeiros na terra indigena Yanomami, em Roraima. Ele foi substituído, à época, pelo missionário Ricardo Lopes Dias, que ficou nove meses no cargo. O indigenista pediu licença da instituição e se voluntariou para capacitar indígenas junto à União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).

Na entrevista, Xavier lembrou mais uma vez que o servidor Bruno Pereira estava licenciado da Funai quando desapareceu. O presidente ressaltou que não existem missões oficiais com servidores licenciados do órgão.

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