Compra de decisão no TJ-DF no valor de R$ 5 milhões pode ter beneficiado membros do Pros

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Uma negociação de compra de uma decisão no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) pode ter favorecido o grupo que comanda o Partido Republicano da Ordem Social (Pros). Segundo uma reportagem da Folha, o acerto seria no valor de R$ 5 milhões em uma promessa de uma sentença do desembargador Diaulas Costa Ribeiro.

 

Documentos obtidos pela reportagem indicam encontro e vários contatos entre uma irmã do desembargador e políticos do Pros, além da indicação, por ela, da advogada que atuaria no caso. O partido foi criado em 2013 e está dividido entre dois grupos que se acusam de cometimentos de crime de corrupção. O desembargador é o relator da ação da disputada partidária. Em 9 de fevereiro, ele deu voto favorável ao atual comando da legenda. A decisão foi seguida por outros dois desembargadores da turma em 8 de março. 

 

O desembargador nega que jamais teria recebido qualquer proposta criminosa e que não tem relação com a irmã há duas décadas. O Pros recebeu R$ 21,6 milhões de fundo partidário no ano passado. Neste, terá direito a R$ 91 milhões do fundo eleitoral. A sigla tenta emplacar pela primeira vez um candidato à presidência da República, o coach Pablo Marçal.

 

Segundo as conversas, em dezembro do ano passado, a advogada Raquel Costa Ribeiro, irmã do desembargador Diaulas, recebeu em sua casa, em Brasília, Marcus Holanda e Liliane de Souza Dantas, ex-mulher do hoje presidente do Pros.

 

Procurada pela reportagem, a irmã do desembargador afirmou em uma primeira ligação telefônica não ter contato com o irmão, a quem classificou como “uma pessoa honestíssima”, e disse que Liliane, de quem ela foi professora em um período do ensino fundamental, a havia procurado porque queria mover uma ação de família contra o ex-marido. Posteriormente, a advogada confirmou o encontro com integrantes do partido, mas negou irregularidade e disse que o significado das mensagens difere do que parece ser à primeira vista.

 

Em uma das mensagens, Liliane diz que a irmã do desembargador solicitou o pagamento de R$ 5 milhões e que fossem desconstituídos todos os advogados habilitados em ambos os processos, “bem como a habilitação de uma advogada da absoluta confiança dela, posto que ela não poderia em hipótese alguma aparecer nos autos”. Dias depois, em 18 e 19 de dezembro, há mensagens do celular do atual presidente do Pros para Liliane, mencionando o possível acordo. Entre outras: “Veja c ela se terá ajuda familiar ou não”. Já no mês de janeiro deste ano, Marcus manda uma mensagem para Lilian perguntar para a advogada e irmã do desembargador se havia  “previsão para fechar o contrato” para ele suspender o trabalho com as outras equipes.

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