Terreiro de candomblé denuncia ameaças após tentativa de invasão na Bahia

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Uma festa em celebração a Xangô, no final de semana, foi interrompida por um episódio de intolerância religiosa e violência em Tapiramutá, no centro-norte da Bahia. O caso aconteceu na noite do último sábado (23), no terreiro Canzuá Preto Velho de Angola. O ritual religioso foi pausado depois que um homem surgiu socando e chutando o portão do terreiro. O rapaz, que mora na região, também insultou e fez ofensas contra os integrantes durante o ataque.

Câmeras de segurança flagraram o momento em que o indivíduo tenta invadir o espaço. Com a confusão, a ialorixá Develyn Almeida Santos – conhecida como Develyn de Oxum – e alguns de seus filhos de santo precisaram sair para controlar a situação e entender o que estava acontecendo.

“Ele falou que ia entrar, que ia quebrar tudo, que essa religião é do Satanás e que iria acabar com tudo. Ele ameaçou a gente de morte, disse que se a gente continuasse com o ritual e com o terreiro ele iria matar todo mundo”, contou a Ialorixá. 

“Dentro do terreiro tinham crianças, adolescentes e pessoas idosas. Todo mundo ficou aflito e aterrorizado”, disse a Mãe de Santo.

Do lado de fora, os membros do terreiro tentaram argumentar com o homem, mas não tiveram sucesso. “Ele estava nervoso e começou a nos insultar, me chamou de macumbeira, de vagabunda, de sem o que fazer, me esculhambou e esculhambou todos os meus filhos de santo”, disse Develyn.

Os rituais e festas são frequentes no terreiro e, segundo a mãe de santo, tudo sempre é feito mediante ofícios entregues à prefeitura de Tapiramutá e à Polícia Militar solicitando autorização.

Essa não é a primeira vez que o terreiro é alvo de preconceito. A ialorixá desabafa que a pequena cidade, de cerca de 16 mil habitantes, não está acostumada com religiões de matriz africana, devido a um baixo número de terreiros no município, e é frequente os casos de perseguição contra seus praticantes.

“A maioria das pessoas que fazem perseguição são evangélicas. Já tentaram até fazer baixo assinado para fechar o terreiro. Quando passo, ouço insultos e piadas de vizinhos: ‘Vai começar o brega?’, ‘A baixaria já vai começar'”, relata.

“A gente sempre passa por esses ataques, principalmente, por parte de alguns vizinhos ou filhos de vizinhos, declarou.

Apesar disso, esta foi a primeira vez que houve um caso explicito com ameaças de morte e ataques no portão do terreiro. Develyn conta que só não chegou a ocorrer agressões físicas, porque a esposa do rapaz que os insultava chegou no momento e o conteve. “Eles estavam vindo de alguma festa que teve nas ruas aqui de cima.  A mãe dele é vizinha aqui de casa e ela veio me pedir desculpa dizendo que ele estava bêbado, que não estava em sua condição normal, mas, segundo a esposa dele, ele estava em sua plena sã consciência e veio de fato já pra fazer isso”, contou, acrescentando que ouviu de outros vizinhos que o rapaz já planejava ataques contra o terreiro.

A ialorixá contou ainda que tentou registrar um boletim de ocorrência na delegacia da cidade, nesta segunda-feira (25), mas não conseguiu por não encontrar o delegado na unidade e não esperar pela sua chegada. Os representantes do terreiro tentarão novamente fazer denúncia nesta terça-feira (26), para esta situação seja apurada pela polícia.

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