Sri Lanka elege presidente-tampão após caos levar a fuga e renúncia de líder

Escrito por: Diógenes Cunha

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

S??O PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Após meses de protestos somarem ao caos econômico uma crise política sem precedentes, o Sri Lanka realizou nesta quarta-feira (20) uma eleição indireta para apontar um presidente-tampão. Ranil Wickremesinghe, ex-premiê que já ocupava o cargo como presidente interino, inicialmente concluirá o mandato original de Gotabaya Rajapaksa, até novembro de 2024.

Em uma votação secreta, Wickremesinghe derrotou o ex-ministro da Educação Dullas Alahapperuma, apoiado pelo principal partido da oposição, e o líder esquerdista Anura Dissanayake.
Rajapaksa renunciou ao cargo depois de fugir do país, com destino a Maldivas e depois a Singapura ???com direito a ter sido barrado por agentes no aeroporto de Colombo antes de conseguir consumar a escapada. Sua permanência, no posto e no país, havia passado a beirar o insustentável depois que manifestantes invadiram o palácio presidencial no último dia 9 e o ocuparam por dias.

Os protestos furiosos, em um sábado de caos, foram o ápice de meses de insatisfação com a gestão de Rajapaksa, de resto representante de uma dinastia política que há décadas ronda o poder no Sri Lanka.

A cólera dos cingaleses se dirigiu também ao então premiê Wickremesinghe, que teve sua casa igualmente invadida, mas também incendiada. Nem ela nem o fato de ter falado, ainda no dia 9, em entregar o cargo para um governo de união nacional, porém, fizeram com que ele renunciasse.

Ao contrário, o político foi apontado como presidente interino no dia em que Rajapaksa havia prometido renunciar mas não o fez ???a demissão em si só viria no dia seguinte, por email. Wickremesinghe voltara ao posto de premiê, que já ocupara cinco vezes, em maio, em substituição a Mahinda Rajapaksa, irmão mais velho de Gotabaya forçado a renunciar em outra leva de protestos de igual motivação.

Os últimos dias, em meio a um estado de emergência decretado e renovado pelo interino, foram de mais calmaria nas ruas cingalesas. Resta saber se a eleição do novo presidente manterá esse clima no país, de forma que ele possa cumprir uma de suas duas principais missões, a de pacificar o país.

A outra é destravar a economia, assolada pela maior crise desde que a ilha no Pacífico, de 22 milhões de habitantes, se tornou independente do Reino Unido, em 1948. Foi numa crítica à opulência estatal em meio à carestia nas cidades que, na invasão ao palácio residencial e à casa do premiê, manifestantes se deixaram fotografar usando a piscina, fazendo piqueniques no jardim, estirando-se nas camas e organizando tours pelos imóveis.

A espiral do caos foi acelerada pelo que é visto como uma sequência de erros de gestão da família Rajapaksa, agravados pela pandemia. O Sri Lanka recentemente se tornou a primeira nação asiática desde 1999 a não honrar compromissos externos, de sua dívida de US$ 51 bilhões.

Cortes de impostos promulgados em 2019, aliados à secura nas receitas provenientes do turismo por causa de restrições impostas para conter o coronavírus, reduziram a arrecadação do Estado e paralisaram a economia. Isso travou também a capacidade de lançar políticas públicas que freassem o levante social, disparado quando o governo cingalês, sem crédito, se viu forçado a racionar combustíveis.

Em outra medida questionável, Rajapaksa chegou a proibir o uso de fertilizantes de origem estrangeira, sob a justificativa de promover a agricultura orgânica. Sem tecnologia disponível, produtores tiveram uma das piores colheitas no ano passado, agravando um cenário de escassez de alimentos e inflação.

?? CNN nesta semana Wickremesinghe disse que a administração anterior, da qual era aliado, estava “escondendo fatos” sobre a crise econômica, que deixou o país, nas palavras dele, falido. O Fundo Monetário Internacional (FMI) chegou a condicionar a retomada plena de negociações ao fim da crise política.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Expansão da frota de satélites compromete qualidade das observações astronômicas

Resumo: ESO alerta que até 1,7 milhão de satélites pode comprometer observações astronômicas; atualmente existem cerca de 15 mil satélites em órbita. Simulações...

Defesa encerra exercício militar com mais cinco países

Resumo rápido Exercício Felino 2026 encerra em Foz do Iguaçu (PR) com participação de ~740 militares...

Governo Espriella encerra o jornalismo da mídia pública colombiana

Resumo: Novo governo da Colômbia encerra o noticiário das Emissoras da Paz, substituindo por programação musical centrada em Bogotá. Entidades de imprensa criticam...