Polícia recupera objetos sagrados furtados de terreiro em Brumado

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O Centro Cultural Do Candomblé Alto De Xangô e Sociedade Floresta Sagrada Alto de Xangô, em Brumado, tiveram objetos sagrados recuperados pela Polícia, nesta sexta-feira (5), após um furto acontecido em julho na propriedade. O caso é investigado como intolerância religiosa.

Os criminosos não se restringiram aos furtos, no entanto. Também ocorreram destruição de objetos sagrados e depreciações de bens, segundo aponta o delegado atuante em Brumado, Fábio Lago. A situação acontece em meio a uma disputa judicial por terras, iniciada em 2015, na região.

“A operação que realizamos é denominada ‘Estado Laico’. Mesmo que houvesse o direito na área cível na terra, os objetos segredos de qualquer religião devem ser respeitados, independentemente da propriedade, que fica em área federal. A investigação caminha nesse sentido”, explica o delegado. Agora, a Polícia busca os autores e as motivações do crime.

Recentemente, uma liminar favorável ao terreiro foi concedida pela Justiça. A Seção Cível de Direito Privado do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ/BA) reverteu um decisão de 1ª instância que determinava a área era de posse de dois fazendeiros no último dia 20 de julho.

Leia mais: Especulação imobiliária e violências ameaçam terreiro de candomblé em Brumado

A área é comprovadamente de propriedade da União, sendo cedida a posse às referidas instituições religiosas há 20 anos, que utilizam o terreno sem qualquer oposição. “Apesar de toda documentação nesse sentido, além de se tratar de fato público e notório, já que o Castelo de Xangô, como é identificado aos populares, é conhecido internacionalmente, terceiros começaram a invadir a área e reivindicar a propriedade”, comentou o sacerdote de matriz africana Pai Dionata de Xangô.

O terreno, então, sofreu com duas invasões. Em uma, próxima ao cemitério Santa Inês, uma antiga área de mata preservada pelas instituições foi derrubada para a construção de diversas edificações. Segundo as instituições religiosas, inúmeras arvores sagradas e centenárias foram cortadas, a vegetação foi suprimida, animais foram mortos, outros foram expulsos do seu habitat natural em uma ação ilegal e injusta.

Sobre esta primeira invasão, a ação judicial foi vitoriosa para o Castelo de Xangô. A justiça determinou a reintegração de posse desta parte da área invadida. Contudo, por questões burocráticas, terceiros continuaram construindo no imóvel, sendo determinado judicialmente que o Município de Brumado agisse imediatamente e também adotasse as medidas para interditar o loteamento irregular e fechar as edificações e comércios lá existentes.

A Polícia Civil afirma que segue apurando as circunstâncias e as motivações dos crimes em busca de prender os autores. 

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