Da política à milícia: a história de 2 irmãos acusados de crimes no DF

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Os nomes dos irmãos Eliude Glendson da Silva e Elielson Alves da Silva vieram à tona em maio deste ano, quando mencionados em uma investigação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). Na ocasião, eles não foram presos nem detidos, mas, segundo a corporação, são envolvidos em um caso de venda irregular de lotes, em um condomínio do DF. Porém, novos acontecimentos revelam outras informações sobre a dupla, que coleciona uma extensa ficha criminal. Os dois já tiveram vários cargos comissionados em órgãos ligados ao governo local.

Na última segunda-feira (8/8), a PCDF prendeu a dupla em flagrante por porte ilegal de arma. Antes, já tinham sido investigados por crimes como estelionato, furto e grilagem de terras.

No meio político, os irmãos já ocuparam cargos importantes, em administrações regionais e subsecretarias. Em agosto de 2011, Elielson, 42 anos, foi nomeado para exercer o cargo de gerente de promoção e assistência social, da Diretoria de Serviços, da Administração Regional do Itapoã. Cerca de três meses depois, foi exonerado a pedido para ser nomeado à função de assessor da Subsecretaria de Integração e Gestão da Infraestrutura, onde ficou até fevereiro de 2014.

Na sequência, ele assumiu o cargo comissionado de coordenador de discursos da assessoria de conteúdos e informação do Governo do Distrito Federal. Nesta função, Elielson permaneceu até ser exonerado, em agosto, ainda de 2014.

Já o irmão, Eliude Glendson, 44, teve uma passagem mais recente pela administração pública do DF. Em 2019, ele foi nomeado para a Gerência de Manutenção e Conservação da Coordenação de Licenciamento, Obras e Manutenção da Administração Regional de Vicente Pires. Na época, o então administrador da região, Daniel de Castro Sousa, lhe concedeu o cargo comissionado.

Fontes ligadas ao ex-administrador garantiram que houve a quebra da relação, há pelo menos dois anos, entre os irmãos e o político, que tenta uma cadeira de titular na Câmara Legislativa nas eleições deste ano.

Contudo, registros oficiais indicam que Eliude deixou o cargo apenas em junho de 2021. Em setembro do mesmo ano, a PCDF começou a investigar uma denúncia de participação de policiais militares e agentes penitenciários em um grupo criminoso no Assentamento 26 de Setembro. Eles teriam atuação semelhante a uma milícia, na venda de lotes irregulares na área pública, além de realizarem a segurança privada dos terrenos.

Grilagem de terras e milícia Segundo as denúncias, militares e agentes adquiriam lotes e pagavam por eles com serviços de segurança e em dinheiro. Em depoimento, um policial penitenciário envolvido no crime delatou que os irmãos Elielson e Eliude eram responsáveis pelas vendas de terrenos no Condomínio JK Ville.

Se fosse integrante da Segurança Pública do DF, o proprietário passava a ser responsável por observar a região, na intenção de repelir possíveis invasores. E, caso surgisse alguma tentativa, o morador acionava outros policiais que estavam em grupos de WhatsApp do condomínio, para que interviessem na ação.

As investigações apontaram, ainda, a existência de escalas de trabalho, meticulosamente organizadas por ocupantes das terras. Neste caso, os irmãos seriam os responsáveis por pagar os serviços de segurança, mas as escalas e os serviços a serem feitos eram organizados por policiais.

O inquérito está na Justiça e corre sob sigilo.

Porte ilegal de arma Os irmãos foram presos em flagrante na última segunda-feira (8/8), por porte ilegal de arma. De acordo com a ocorrência, Elielson carregava duas pistolas Taurus, de calibre 45.

Para determinar o valor da fiança, a autoridade levou em consideração a natureza da infração, as condições pessoais de fortuna e vida pregressa dos acusados e as circunstâncias indicativas periculosidade. Cada um dos autores teve de desembolsar R$ 15 mil para responder ao processo em liberdade.

O que dizem os irmãos O Metrópoles encontrou os perfis de Eliude e Elielson nas redes sociais e, por meio de mensagens privadas, tentou contato com eles. Após a investida da reportagem, Elielson deletou sua conta no Instagram. Eliude foi contatado, mas não havia respondido até a última atualização deste texto. O espaço segue aberto para possíveis manifestações.

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