China intensifica pressão sobre advogados de líderes religiosos presos

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Resumo: autoridades chinesas intensificam a pressão sobre advogados da Igreja Sião de Pequim, revogando licenças e suspendendo profissionais. Grace Jin, filha do pastor Ezra Jin Mingri, relata vigilância constante e impedimento de deixar o país. O caso já envolve dezenas de detidos e atrai atenção internacional, incluindo Washington, que acompanha a libertação do líder religioso.

Relatórios do Wall Street Journal indicam que a licença para advogar de Zhang Kai, que atua no caso, foi retirada. Além disso, vários outros defensores ligados à defesa da Igreja tiveram licenças suspensas ou receberam advertências em reuniões com autoridades. Representantes da igreja afirmam que tais medidas equivalem a um atropelo da justiça e do Estado de Direito.

Grace Jin afirmou que a pressão sobre os advogados dificulta a trajetória da família para conhecer o estado de saúde de Jin Mingri e estruturar uma defesa adequada. Jin, também conhecido como Jin Mingri, foi detido em outubro de 2025 em Beihai, na Guangxi, enquanto cerca de 30 líderes e fiéis da Igreja Sião já haviam sido presos ou dados como desaparecidos em várias cidades.

De acordo com o WSJ, 18 pessoas permanecem detidas em um centro de detenção em Beihai, incluindo Jin. A escalada de pressão sobre advogados aumenta a preocupação com um caso que já tem repercussão diplomática e religiosa, ampliando o escrutínio sobre a atuação de defensores legais em questões ligadas à fé não registrada.

A diversificada resposta internacional veio com o pedido do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pela libertação de Jin, alinhado ao apoio de membros do Congresso. Rubio ressaltou que a repressão evidencia a hostilidade do Partido Comunista Chinês aos cristãos que rejeitam a interferência estatal em sua fé e que praticam seus cultos sem registro governamental.

Ezra Jin Mingri fundou a Igreja Sião em 2007, após estudar no seminário Fuller, na Califórnia. Ele se converteu ao cristianismo depois dos protestos de Tiananmen, em 1989, e tornou-se uma das vozes mais conhecidas entre as igrejas domésticas da China, ao longo de anos de expansão silenciosa.

Após a invasão do santuário em Pequim em 2018, a igreja passou a realizar cultos online e abriu filiais menores em várias regiões do país. Os encontros virtuais chegaram a reunir até 10 mil participantes em plataformas como Zoom, YouTube e WeChat, evidenciando um alcance além das restrições oficiais.

O regime chinês afirma garantir a liberdade religiosa na Constituição, mas reconhece apenas entidades aprovadas pelo Estado. Entre protestantes, o movimento é conhecido como Movimento Patriótico das Três Autonomias, e entre católicos, a Associação Patriótica Católica Chinesa. Mesmo as organizações autorizadas operam sob vigilância, censura e controle político, enquanto grupos não registrados enfrentam perseguição.

Autoridades também classificam alguns grupos não oficiais como seitas, incentivando denúncias. Grace Jin descreveu o pai sob vigilância constante e proibido de deixar a China, mesmo mantendo a liderança da Igreja a distância. Antes de ser detido, ele tentou visitar a Embaixada dos EUA em Pequim para renovar o visto, foi interceptado pela polícia, levado ao aeroporto e obrigado a deixar a capital.

Desde a detenção, a família perdeu o contato com Jin e resta incerteza sobre eventual acusação formal. O caso revela como questões religiosas se entrelaçam com o direito e a diplomacia em um país que intensifica o controle sobre movimentos espirituais não registrados. Comente abaixo: quais são seus pensamentos sobre o equilíbrio entre segurança institucional e liberdade religiosa neste cenário?

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