Engenheira que atua em demolição do Isba é ex-aluna e tenta resgatar memória

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Quando soube que comandaria a equipe de demolição do imóvel que foi sua escola por tantos anos, a engenheira Vanessa Lima não conseguiu evitar a emoção: ???Foi um misto de tristeza e alegria por ter sido formada aqui. Não está sendo fácil, mas as memórias que tenho encontrado são um bálsamo”. O que era para ser apenas mais um trabalho, se tornou um resgate da memória do Colégio Isba, que começou a ser demolido no início desse mês e deve dar lugar aum condomínio residencial.

Quando deixou a instituição em 2008, a última coisa que ela imaginava era que um dia a escola fecharia, ou que ela voltaria ao local e seria a pessoa responsável por fechar o ciclo de 56 anos da sua ???segunda casa???. Depois da emoção inicial causada pela notícia da demolição, ela até achou que conseguiria fazer o trabalho sem derramar mais nenhuma lágrima. 

???Quando cheguei no estacionamento, olhei para tudo aquilo e veio um flash na minha cabeça. Ali, dentro do carro mesmo, chorei enquanto lembrava de tudo que vive aqui e do quanto fui acolhida no momento que eu mais precisei???, conta.

Resgate da memória 
A entrada no prédio foi inevitável, e quando aconteceu, deu início a segunda missão de Vanessa ali: resgatar memórias. A primeira fase da demolição de um imóvel é feita manualmente e foi o que permitiu que ela passasse por cada espaço do colégio. 

Primeiro ela encontrou um mural de fotos, depois um anuário, que por acaso foi dela, da turma do 7° ano. Hoje,18 dias após o primeiro achado, ela já resgatou fitas cassetes, quadros e livros. Tudo está registrado em imagens em preto e branco, na galeria de fotos que ela abriu no celular exclusivamente para guardar essas memórias.

???Meu diretor ainda brincou comigo. Quando você ver as máquinas???Aí cada lugar que eu fui passando eu fui achando coisas. Eu tenho tudo aqui no meu celular, quadros, recadinhos de professoras. Eu também encontrei [o quadro] a Nossa Senhora Educadora???, detalha.

Devolução
Quando encontrou o quadro da Nossa Senhora Educadora, Vanessa lembrou que ele tem uma dona, chamada por ela de Maria. A mulher era sua professora de religião e é uma das freiras do colégio. A partir daí, além de engenheira e de resgatar memórias, a ex-aluna também se tornou a pessoa que devolveria os objetos encontrados aos donos. 

???Está aqui guardado para devolver a Maria, também tem um livro que eu estou esperando outra pessoa vir buscar. Estava tudo abandonado e eu não poderia deixar isso ser apenas algo ruim, eu tenho que tratar essa oportunidade de devolver esses objetos como algo bom???, destaca Vanessa.

LEIA TAMB??M: Na memória: ex-alunos se emocionam ao relembrar histórias vividas no Isba

Segunda casa
O cuidado de Vanessa pode ser interpretado como um reflexo de todo acolhimento que ela recebeu da instituição. Aos 14 anos, quando perdeu sua mãe, o Colégio Isba se tornou uma segunda casa.

???Eu nunca vi isso aqui apenas como uma escola, eu vi como um acolhimento real. Minha mãe morreu quando eu tinha 14 anos, minha família passou por um momento de bastante dificuldade e foi essa instituição, que para mim é uma casa, que me acolheu. Eu tive um acolhimento enorme???, lembra emocionada.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

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