DPU pede celeridade no processo de tombamento da Lagoa do Abaeté

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Foi ajuizada pela Defensoria Pública da União (DPU) em Salvador (BA), nesta terça-feira (13), uma Ação Civil Pública contra o município de Salvador e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A DPU quer que a Justiça Federal determine agilidade e conclusão dos processos administrativos de tombamento da região da Lagoa do Abaeté e suspenda a execução do projeto de urbanização da Prefeitura de Salvador no local até o término desses processos.

 

Segundo o órgão, a ação foi motivada pelos relatos de grupos da sociedade civil, que procuraram a DPU em fevereiro deste ano, sobre a prefeitura ter divulgado um projeto de urbanização para a área. Na ocasião, eles também informaram sobre a então tramitação, na Câmara de Vereadores de Salvador, do Projeto de Lei nº 411/2021, que previa a mudança do nome Dunas da Lagoa do Abaeté para “Monte Santo Deus Proverá”. Após diversas manifestações e repercussão negativa, sobretudo de entidades ligadas às religiões de matriz africana, a proposta de alteração foi retirada de pauta na casa legislativa.

 

O defensor regional de Direitos Humanos na Bahia, Vladimir Correia, disse que pede ainda que o Iphan se pronuncie, em até 10 dias úteis, sobre a viabilidade de decretação do tombamento provisório da região.

 

“Trata-se de medida de suma importância, a fim de evitar que o município implemente o projeto de urbanização, alterando o patrimônio, sem considerar as repercussões culturais”, afirmou.

 

O defensor informa que existem dois processos de tombamento em curso no Iphan referentes às áreas da Lagoa do Abaeté e do Parque das Dunas, regiões conhecidas como locais sagrados de culto das religiões afrodescendentes e protegidas ambientalmente pela legislação brasileira.

 

Vladimir Correia pontuou que, antes de levar o caso à Justiça, a DPU enviou ofícios ao Iphan em busca de informações sobre a situação. Entretanto, em um dos processos, uma arquiteta do Instituto demonstrou ser favorável ao tombamento, mas, em nota técnica, revelou a insuficiência dos documentos apresentados pela Câmara de Vereadores. Mesmo após solicitação, a Câmara ainda não teria atendido o pedido de complementação das informações.

 

A Defensoria garantiu que “também procurou a prefeitura para obter informações sobre o projeto de urbanização – a indicação das intervenções propostas, os possíveis impactos sociais e ambientais, assim como o prazo para o início da execução. Em resposta, a Secretaria de Infraestrutura e Obras Públicas (Seinfra) afirmou apenas que o projeto é oriundo de uma provocação popular e atende às legislações ambientais e administrativas”.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Ciro Gomes relembra voto em André Fernandes no 2º turno em Fortaleza e critica PT durante evento de pré-campanha ao governo do Ceará

No lançamento de sua pré-candidatura ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB) afirmou, no Conjunto Ceará, em Fortaleza, que votou no segundo turno...

Aldo Rebelo reage à pré-candidatura de Joaquim Barbosa: “Afronta”

O ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo reagiu à pré-candidatura de Joaquim Barbosa ao Palácio do Planalto, anunciada pelo Democracia Cristã (DC). Rebelo classificou...

Ingressos para estreia de documentário sobre trajetória de Bolsonaro esgotam em Salvador após mobilização de apoiadores

Em Salvador, os ingressos da estreia do documentário A Colisão dos Destinos esgotaram rapidamente após a mobilização de apoiadores de Jair Bolsonaro. A...