Aprovar PEC ‘fura-teto’ é reestabelecer velha farra com dinheiro público, afirma vice-líder na Câmara

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Segundo o deputado Sanderson, ainda há a possibilidade reprovação da proposta em segundo turno, visto que ela passou com apenas 23 votos a mais do que o necessário na última terça

Elaine Menke/Câmara do Deputados

Deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS), vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara

A PEC da Transição, também chamada de “fura-teto”, deve ser aprovada em segundo turno na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 21, após intensas negociações e aprovação em primeiro turno na última terça. Para falar sobre o assunto, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS), vice líder do governo Bolsonaro na casa, concedeu uma entrevista ao vivo para o Jornal da Manhã, da Jovem Pan News. Segundo ele, a proposta representa irresponsabilidade fiscal e tentativa de “reestabelecer velha farra com dinheiro público”. “Para nós, estava muito claro a tentativa de reestabelecer a velha farra com o dinheiro público, irresponsabilidade que fez o Brasil mergulhar em índices inflacionários grandes, com falta de investimento, com desemprego”, declarou.

“O fato é que toda a responsabilidade com que nós tratamos a coisa pública nesses últimos quatro anos em Brasília está indo por água abaixo. Eram necessários apenas R$ 52 bilhões para fazer a ação dos R$ 400 para os R$ 600 [do Auxílio Brasil] e foram aprovados ali R$ 165 bilhões. Ou seja, um valor muito maior do que o necessário. E o Congresso novo terá compromissos muito sérios caso essa PEC seja aprovada. Tivemos inúmeras críticas nas redes sociais e, quem sabe, alguns deputados que votariam contra e votaram a favor em razão da redução do prazo retomem seus votos negativos, e a gente consiga reprovar essa proposta no segundo turno”, completou o deputado. De acordo com Sanderson, a PEC foi aprovada com uma margem pequena de 5% de votos favoráveis.

Segundo o deputado, a aprovação passa uma mensagem de “gastança” negativa para futuros negócios e investidores: “Isso pega muito mal, não só no Brasil, mas também internacionalmente, porque investidores olham e fazem cara feia para irresponsabilidade. O equilíbrio fiscal que foi estabelecido nesses últimos quatro anos não pode ser perdido, porque é com equilíbrio fiscal que nós temos geração de emprego, inflação baixa. E, assim, nesse quadro que está se pintando, nós teremos um 2023 muito duro, porque a economia brasileira não é tão resiliente assim, como a americana ou algumas da Europa. Temos dificuldade dar estabilidade à economia, e esse tipo de mensagem que o parlamento está dando traz instabilidade. Isso é muito ruim”, disse.

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