Ex-comandante da PMDF culpa polícias Judiciária e Legislativa por invasão

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O ex-comandante-geral da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) Fábio Vieira se esquivou de qualquer culpa ou omissão nos atos ocorridos em 8 de janeiro, que levaram à invasão e depredação dos prédios dos Três Poderes. Durante audiência de custódia, realizada no dia 12 de janeiro, o militar afirmou não ter ideais políticos, não ter facilitado qualquer tipo de atos criminosos e ainda ressaltou que não viu “atuação” de policiais legislativos e judiciários.

Durante a audiência, que o manteve preso preventivamente, o ex-comandante do PMDF afirmou que, após os manifestantes romperem as grades que protegiam os prédios públicos, não houve ajuda dos demais órgãos. E que a responsabilidade, nesse caso, seria das outras forças de apoio.

“O dispositivo da PM era o dispositivo padrão, um linha na frente acompanhando todo o gradil, do MJ (Ministério da Justiça) ao Itamaraty”, disse Fábio Vieira.

Ele ainda complementou que o Batalhão de Choque foi posicionado atrás do gradil. Vieira disse em sua declaração que após “eles romperam o gradil, não viu policiais do Legislativo. Que, no STF, quando chegou, viu um efetivo muito pequeno da polícia judicial”.

Disse ainda acreditar que, “protocolarmente, como acontecia em outra manifestação, esses efetivos não estavam adequadamente empregados”.

O ex-comandante ainda completou se defendendo ao afirmar que não houve por sua parte nenhuma tentativa de facilitar que os atos criminosos de 8 de janeiro.

Fábio Vieira está preso preso desde 10 de janeiro por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O conteúdo da audiência de custódia do ex-comandante da PMDF só foi tornado público, em sua íntegra, nesta terça-feira (24/1), nos autos do inquérito 4923, que tramita no STF.

ExércitoConforme havia informado em seu depoimento, Fábio ressaltou que a permanência de manifestantes no acampamento firmado no Quartel General do Exército contribuiu muito para os atos de 8 de janeiro. Segundo ele, a PMDF, junto ao GDF, tentou por duas vezes desmobilizar o acampamento, “mas não obtiveram êxito por solicitação do próprio Exército”.

“A PMDF chegou a mobilizar cerca de 500 policiais militares, mas o Exército entendeu que era melhor eles fazerem essa desmobilização utilizando seus próprios meios. A permanência do acampamento contribuiu muito para o ocorrido no dia 8. A PMDF tomou conhecimento de toda manifestação ou evento por uma reunião na Secretaria de Segurança Pública, pela Subsecretaria de Operações Integradas. Comandante-Geral não participa dessas reuniões e tampouco do planejamento”, disse.

Ressaltou ainda que pelas informações recebidas do Departamento de Operações “os ânimos dos manifestantes seriam pacíficos”.

“O Departamento de Operações informou que a situação estava OK, que o efetivo empregado era o necessário de acordo com as informações de inteligência que eles tinham. A inteligência informou que o chamado do movimento era grande mas não havia muita adesão”, disse.

Ele ainda ressaltou que houve grande preocupação por parte do governador do DF afastado, Ibaneis Rocha (MDB). “Houve uma grande preocupação do governador, que transmitiu através do Chefe da Casa Civil, o dever de preservar o local; que se tivesse informação que haveria urna radicalização certamente poderia pessoalmente rever o planejamento”, contou na audiência de custódia.

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