Moro pede apoio de Lula a projeto e reclama de fala polêmica do presidente

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

O senador Sérgio Moro (União Brasil-PR) pediu que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apoie o seu projeto de lei para punir quem planeja atentados contra autoridades como uma forma de “se redimir” após sua declaração na terça-feira, 21, na qual o presidente afirmou que o seu pensamento enquanto preso era que só ficaria bem “após f***r” com o ex-juiz da Lava Jato. O parlamentar ainda defendeu que a fala o petista, caso tivesse sido feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, teria sido “muito mais criticada”.

“Eu reprovo essas afirmações (de Lula) e a minha expectativa, como forma de se redimir em relação a isso, eu gostaria de ter o apoio do presidente da República para o meu projeto. Gostaria de ter apoio também dos membros do PT. É um projeto suprapartidário”, disse em entrevista à rádio Eldorado do Estadão.

O projeto de lei de Moro, apresentado nesta quarta-feira, 22, prevê “a criação de crimes específicos para punir atos de planejamento de atentados contra autoridades públicas”. A proposta legislativa é uma resposta ao planejamento do assassinato do ex-juiz e de outras autoridades, alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) também desta quarta-feira. Até o momento, nove pessoas foram presas.

Moro ainda afirmou que, caso as declarações de Lula tivessem sido feitas por Bolsonaro, as reações seriam outras. “Ele fez declarações que ferem a liturgia do cargo. Se tivesse sido o presidente anterior, ele tinha sido execrado com muito mais intensidade do que foi o presidente Lula. Quando ele faz esse tipo de afirmações, que gostaria de me f***r e que quer se vingar de mim, ele acaba me colocando em uma posição de vulnerabilidade e da mesma maneira a minha família”, disse.

Na terça-feira, 21, Lula revelou pela primeira vez que, quando estava preso em Curitiba, tinha uma ideia fixa e a declarava quando recebia visitas formais de procuradores e delegados na cadeia. Segundo o petista, em todas as visitas que recebia, as autoridades lhe perguntavam se estava bem. Lula diz que dava sempre a mesma resposta: “Só vai ficar bem quando eu f***r com o Moro”.

Nesta quarta-feira, 22, a PF tornou pública a Operação Sequaz contra uma quadrilha ligada ao PCC que pretendia atacar servidores públicos e autoridades, planejando assassinatos e extorsão mediante sequestro em quatro Estados e no Distrito Federal. O ex-ministro da Justiça no governo Bolsonaro era um dos alvos da facção.

Investigadores do caso desconfiam que toda a vigilância sobre a família do ex-juiz tinha como mais provável objetivo o sequestro do senador; sua mulher, a deputada federal Rosângela Moro (União Brasil-SP); e dos filhos, que seriam mantidos reféns em uma das chácaras, para obrigar o Estado a negociar a libertação de Marcola ou sua retirada do sistema penal federal.

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Estudo aponta que 64,8% dos mortos em operações policiais no Brasil em 2025 eram jovens negros de até 29 anos

Um estudo da Rede de Observatórios da Segurança aponta que jovens negros de até 29 anos, moradores de periferias e favelas, representaram 64,8%...

Flávio Bolsonaro faz acenos a Michelle e pede união em encontro com lideranças femininas

Resumo: O pré-candidato Flávio Bolsonaro intensificou o diálogo com lideranças femininas, destacando o papel de Michelle Bolsonaro no PL Mulher, em meio a...

Aprovada MP que destina parte da arrecadação com as bets para financiar atividades da Polícia Federal

A Câmara aprovou, em votação simbólica, a MP 1348/2026, que destina até 3% da arrecadação de apostas de quota fixa (bets) ao Funapol,...