Discussão no STF sobre descriminalização do porte de drogas não é consenso no governo

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

Integrantes do governo Lula têm posicionamentos diversos sobre a descriminalização do porte de drogas, tema que o STF voltará a julgar neste mês. Autoridades do Executivo já defenderam, criticaram e até mudaram de ideia sobre o assunto.

O ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, é abertamente a favor da descriminalização. “A questão das drogas é fundamentalmente de saúde pública e não um problema de natureza criminal. Descriminalização não é o contrário de regulação”, afirmou Almeida em abril a deputados, acrescentando que não falava pelo governo Lula.

O ministro havia sido convidado a se explicar à Comissão de Segurança Pública da Câmara, depois de expressar a opinião em uma entrevista. Almeida reafirmou sua posição e destacou que não falava pelo governo Lula. “Sou a favor [da descriminalização]. A guerra às drogas é um prejuízo mortal”, disse Almeida à BBC em março.

Por outro lado, o ministro da Justiça, Flávio Dino, disse ser contrário à descriminalização ainda durante o governo de transição. “Não vai haver, nesse instante, nenhum debate sobre descriminalização. A não ser quando e se o Supremo decidir essa temática porque, realmente, isso não consta das nossas prioridades”, disse Dino à BBC em novembro do ano passado. Em seis meses como ministro, não deu declarações públicas sobre a questão.

O presidente da Embratur, Marcelo Freixo, mudou de lado no debate. Na campanha ao governo fluminense em 2022, Freixo passou a ser contrário à legalização das drogas. “Não sou mais a favor [da legalização]. Não acho que isso vai nos ajudar nesse momento no Brasil”, disse Freixo.

A legalização e a descriminalização são duas medidas distintas. Na legalização, o consumo passa a ser permitido por uma lei e pode ter restrições, a exemplo do cigarro. Na descriminalização, o consumo deixa de ter punição apenas na esfera penal.

A descriminalização do porte de drogas, que o STF retoma neste mês, envolve apreensões de drogas em pequena quantidade e para consumo próprio. O processo estava parado desde 2015. Naquele ano, os ministros ouviram no plenário os argumentos do então procurador-geral de São Paulo, Márcio Rosa, contra a descriminalização. Hoje, Rosa é o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Questionado pela coluna, Rosa manteve seu parecer: “A descriminalização das drogas deve ser um ponto de chegada de uma ampla política pública de atenção ao usuário de qualquer substância tóxica, e não o ponto de partida. Reclamávamos a manutenção de um sistema punitivo para o tráfico de drogas ou para o uso de pessoas para o tráfico”, afirmou o número dois do vice Geraldo Alckmin.

Inspirada em uma decisão da Suprema Corte argentina, a ação foi movida pela Defensoria Pública de São Paulo depois que um homem foi condenado por portar três gramas de maconha. Três ministros já votaram a favor da descriminalização: Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin. Barroso e Fachin, contudo, opinaram por descriminalizar apenas o porte de maconha.

The post Discussão no STF sobre descriminalização do porte de drogas não é consenso no governo first appeared on Metrópoles.

Facebook Comments

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Cadela morre em clínica e tutoras se penduram em carro de veterinária, que dirige com idosa no capô. Veja vídeo

Uma confusão na porta de uma clínica veterinária em Águas Lindas de Goiás virou caso de polícia após a morte de uma cadela...

Com 74 mortes em 2025: BR-101 entre Teixeira de Freitas e Porto Seguro é a segunda via mais fatal da Bahia, aponta PRF

BR-101 no Extremo Sul da Bahia registra 74 mortes em 2025; PRF aponta aumento de infrações de alto risco Teixeira de Freitas: dados da...

TJ-BA determina novas informações sobre cumprimento de determinações do CNJ em cartório de Salvador

O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), por meio da Corregedoria-Geral da Justiça, determinou que o 1º Cartório Integrado Cível de Salvador preste...