Último triunfo do Bahia contra o Flu no Rio foi com gol ‘icônico’ de Jobson

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Diante do Palmeiras, na última rodada, o Bahia quebrou um jejum que já durava mais de três décadas: venceu a equipe paulista dentro da Fonte Nova. E no jogo deste sábado (24) contra o Fluminense, no Rio de Janeiro, o tricolor tem novamente a missão de pôr abaixo um tabu negativo contra o seu adversário. A última vez que o Bahia venceu o Flu em solo carioca aconteceu em junho de 2011, pela 5ª rodada da Série A daquele ano. E se você, torcedor, tem uma boa memória, é bem possível que já tenha lembrado desse jogo e de quem garantiu os três pontos para o Esquadrão naquela ocasião. Vira e mexe alguns gols ‘icônicos’ do Bahia são relembrados em vídeos compilados que rodam as redes sociais e whatsapp e, neste caso, a narração do radialista João Andrade ajudou a fixar o lance na memória do torcedor. Com a frase “bota para Jobson, meu filho!”, o radialista narrou o gol do atacante Jobson, que deu o triunfo ao Bahia jogando no Engenhão – atual Nilton Santos -, no Rio de Janeiro. O camisa 11 do tricolor baiano marcou aos 47 minutos do segundo tempo em um contra-ataque de videogame, com direito a drible de Ávine que deixou o adversário no chão após passe de Lulinha, e uma assistência perfeita para Jobson balançar as redes. Aquele foi o ano do retorno do Bahia à Série A após sete anos longe da elite do futebol. Com nomes que marcaram o começo de década na equipe, como Souza Caveirão, Júnior ‘Diabo Loiro’, Fahel, Marcelo Lomba, Titi, Ricardinho e muitos outros, o tricolor chegou ao Engenhão pensando em conquistar seus primeiros três pontos na primeira divisão. Começou a temporada com dois empates, diante de Flamengo e Atlético Mineiro, e duas derrotas, para América-MG e Grêmio. Vale ressaltar que enfrentar o Fluminense no Rio de Janeiro também era um tabu naquela época, já que é raro ver o Bahia vencendo os cariocas fora de casa. Antes do duelo de 2011, a última vitória do Esquadrão havia sido em 1990, um 4×1 pela primeira fase do Brasileirão. O jejum de sete partidas disputadas em 20 anos foi quebrado naquela noite de 18 de junho. Para completar, o Flu era o atual campeão brasileiro e tinha nomes de peso em seu elenco àquela época, como Darío Conca, Fred, Gum e Diego Cavalieri, treinador por Abel Braga. Pressionado para melhorar no começo de campeonato, os mandantes tiveram dificuldades em acertar a meta do goleiro Marcelo Lomba e os chutes de Fred ou Souza (do Fluminense). Do outro lado, o Bahia contava com o meia Carlos Alberto – aquele com passagens por Vasco e Botafogo – que estreava naquela partida do Engenhão e foi o melhor em campo. Foi dele o passe para Júnior, que finalizou e obrigou Cavalieri a fazer boa defesa e evitar o primeiro gol do Bahia. Já na segunda etapa, o Bahia conseguiu melhorar ainda mais e deixou o Fluminense com poucas alternativas para atacar. Os únicos dois chutes de maior perigo do Flu saíram de fora da área. Um deles com o lateral Marquinho, quando Lomba fez grande defesa, e pouco tempo depois Souza chutou de fora da área, a bola pegou na trave e no rebote Darío Conca mandou para fora. O lateral direito Jancarlos ainda cobrou boa falta e quase abriu o placar para o Bahia. O jogo se desenhava para um empate após boa atuação dos goleiros mas, em contra-ataque após escanteio do Fluminense, Lulinha carregou a bola, passou para o lado esquerdo com Ávine que, de frente para a grande área, cortou o zagueiro do Flu e tocou para Jobson que estava sozinho. O camisa 11 bateu cruzado no alto e marcou o gol tricolor aos 44 minutos. No returno daquele ano, jogando em Pituaçu, o Bahia venceu de novo e dessa vez por 3×0. Souza Caveirão marcou duas vezes e o zagueiro Gum fez ainda um gol contra. O Bahia terminou aquele ano na 14ª posição, com 46 pontos, e o Fluminense foi o 3º colocado com 63 pontos. Aquele gol diante do Fluminense não foi o primeiro decisivo de Jobson com a camisa do Bahia, mesmo com pouco tempo de clube. Contratado no começo de maio, Jobson marcou seus primeiros gols pelo Bahia no empate em 3×3 com o Flamengo, na estreia do tricolor em casa naquele ano. No estádio de Pituaçu, o atacante marcou o segundo e o terceiro gol de time, esse último aos 44 minutos da segunda etapa, que garantiu o pontinho contra os tubro-negros. Mas apesar da alegria com a recente chegada do jogador, Jobson não vivia um bom momento fora de campo. Isso porque o jogador foi indiciado pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) por doping dois anos antes, em 2009, quando defendia o Botafogo. No começo, o atleta recebeu uma punição de 2 anos, que foi reduzida para seis meses. Mas o julgamento oficial do atacante aconteceria apenas três dias após o duelo contra o Fluminense, onde ele marcou o gol. Na cidade de Lausanne, na Suíça, Jobson prestou depoimento à CAS e o resultado do julgamento só saiu anos depois. O atleta passou emprestado por diversos clubes do Brasil, como São Caetano e Grêmio Prudente, e chegou a atuar na Arábia Saudita – muito antes de lá ser um oásis de dinheiro e estrutura para atletas como é hoje. Lá, Jobson se recusou a fazer um exame antidoping e por isso foi embora do clube. A recusa chamou a atenção da Fifa, que proibiu Jobson de atuar em outros clubes pelo mundo e, posteriormente, recebeu a suspensão do futebol: três anos sem atuar. Em 2016, no período que esteve afsastado dos gramados, Jobson ainda foi preso e acusado de estupro de vulnerável. Entre 2016 e 2018 esteve preso em diferentes presídios do país e, em 2018, deixou a Cadeia Pública de Paranã, no Tocantins. Desde então voltou a atuar por pequenos clubes no Brasil, alguns ainda amadores.

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