André Catimba e Mário Sérgio unem Salvador aos gremistas

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Dois deuses do panteão habitante do Olimpo rubro-negro andaram fazendo das suas nas terras farroupilhas, ao construírem sólida ponte afetiva vencendo 3 mil quilômetros da aparente distância de Salvador a Porto Alegre. Carlos André, o Deus da Volúpia, arremessava longe qualquer vestígio de ideia de beque, vencendo, na cabeça ou na canela, qualquer titânide insano o suficiente para desafiar, no jogo da matéria, o filho baiano de Ares e Afrodite. Forjou sua garra felina o nosso bravo, ao iniciar no Ypiranga e no Galícia, até integrar-se ao plantel do Vitória, em 1971, encontrando ali o carioca Mário Sérgio, o Deus da Dança com a Bola, filho de Dioniso e Afrodite (de novo ela!). André tornou-se um super-herói do Grêmio, aí por volta dos 77, ao dar raça na vitória sobre o Internacional capaz de tirar das costas tricolores a carga de freguesia de oito ou nove títulos seguidos do colorado. Tão fora de si ficou o morador do Conjunto Santa Bárbara – “niBrotas” do poeta Nilson Galvão – a ponto de não acertar completar a cambalhota de comemoração do gol da volta à Ítaca, à mulher Penélope e ao filho Telêmaco. O ordenamento do Lixo Fascio não havia confinado os repórteres fotográficos em tipo híbrido de alegoria da caverna com alta tecnologia, enjoando excesso de confiança nas sombras. Tá lá o corpo estendido no ar, na horizontal, o deus alado ferira de morte o saci, agora boiava no oxigênio; a gravidade a puxá-lo newtonianamente até espatifar-se em Gaia, qual Dioniso a recolarem-se os pedaços. Os gremistas mandavam buscar André, de táxi e avião, aqui “niBrotas”, para as festas olimpianas (a 3 mil km!), sentindo-se amado no Extremo Sul, com ardor infinito em contraste com a frieza da Axelândia. Já o mago Mário Sérgio Pontes de Paiva, nome de avenida, foi campeão mundial pelo Grêmio, na vitória sobre o Hamburgo, em 1983, em um time temperado com Paulo César Lima, rebrilhando Portaluppi, hoje técnico. Antes, o Vesgo havia jogado pelo Internacional, tornando-se um dos raros campeões invictos do Brasil em 1979, título até hoje pertencente, modo exclusivo, ao Deus forjado na Toca do Leão por Hefesto, a mando de Zeus. Para a galera veterana de hoje, a recompensa é ter tirado a sorte grande de uma infância feliz, pelo acesso a espetáculos da qualidade dos estrelados por Osni, André e Mário Sérgio. Quem não viu não faz ideia. Juntaram-se a esta dupla da era mitológica do Futebol Baiano Arcaico, o Deus da Metaformose, transformando-se em tipos distintos de gnomo, fazendo da velocidade e controle de bola causas eficientes de ilusionismo e magia. Não vergou a camisa do Grêmio o gigante do Leão, Osni Lopes, mas, junto a André e Mário Sérgio, compõe a Santíssima Trindade, merecedora não de monumento em bronze, pois o metal não passa a sensação de movimento. O primeiro monumento de arte-futebol, em Salvador, poderia representar lances divinais de Osni, André e Mário Sérgio passando o bom filme de nostalgia n’algum telão eterno cheio das “tecno-modernagens”. Como vão fazer isso, é problema da TI e dos adoradores do Último Deus (six-six-six): a ideia é demonstrar, na era do nosso funeral, como poderia ser bom como já foi um dia esse tal jogo de bola, hoje mais perto do MMA Fighting. Paulo Leandro é jornalista e professor Doutor em Cultura e Sociedade

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