Bicampeã olímpica, Pia Sundhage muda o patamar da seleção brasileira e busca sua 1ª estrela no Mundial

Publicado:

compartilhe esse conteúdo

cbf

A seleção brasileira feminina de futebol chega à Copa do Mundo de 2023 em outro patamar se comparado ao da última Copa, e isso se deve a uma pessoa: Pia Sundhage. A sueca de 63 anos assumiu o comando da equipe em julho de 2019 e, desde então, são 54 jogos com 33 vitórias, 11 empates e 10 derrotas, um sistema de jogo definido e a esperança de conquistar a primeira estrela na Nova Zelândia e Austrália. A virada de chave na seleção feminina começou ainda no Mundial da França, em 2019. Com a eliminação do Brasil nas oitavas de final para as anfitriãs, a CBF decidiu apostar em renovação e anunciou a contratação da técnica sueca. Segunda mulher no cargo (Emily Lima esteve no cargo entre 2016 e 2017), Pia é a primeira estrangeira a comandar qualquer equipe da seleção brasileira feminina e trouxe uma bagagem importantíssima para a evolução da modalidade. Nascida em 1960 em Ulricehamn, na Suécia, a pequena Pia começou sua carreira no futebol bem jovem e, aos 18 anos, assinou com o seu primeiro time profissional, o Falköpings KIK. Ela atuava como atacante e se destacou rapidamente, sendo convocada para a seleção que disputou a primeira Eurocopa feminina, em 1984. As suecas foram campeãs com Pia artilheira (4 gols) e eleita a melhor jogadora do torneio. Estrela, ela ainda foi vice em 1987 e 1995. No ano seguinte, Pia encerrou sua carreira como jogadora no Hammarby e iniciou como técnica no time.

Em seguida, os três primeiros trabalhos na comissão técnica foram como assistente até que, em 2003, ela assumiu o Boston Breakers-EUA como técnica. Nesse ano, conquistou seu primeiro título: campeã nacional do WUSA (precursora da WNSL). Em 2007, Pia trocou os clubes por seleções ao aceitar o cargo de assistente da China. O trabalho foi rápido e, em 2008, assumiu a seleção dos Estados Unidos – na ocasião já bicampeã mundial – , quando sua carreira deslanchou. Por lá, foi bicampeã do Torneio das Quatro Nações, tricampeã da Algarve Cup, bicampeã olímpica (2008 e 2012) e vice na Copa de 2011. Levou a Bola de Ouro de melhor técnica em 2012, mesmo ano em que deixou os EUA para assumir a Suécia e foi prata nas Olimpíadas do Rio 2016. A sueca passou pelas categorias de base de seu país até que, em 2019, aceitou um novo desafio: treinar a seleção brasileira e buscar o nosso primeiro título mundial do nosso país.

Mudanças no estilo de jogo e mentalidade

Assim como a maioria dos treinadores que passam pela seleção brasileira, Pia Sundhage virou alvo de muitas críticas por suas escolhas. Logo que chegou, preparou o elenco para as Olimpíadas de Tóquio 2021, onde amargou uma eliminação precoce nas quartas de final. Passado o ciclo olímpico, Pia introduziu mais seu modelo de jogo e fez diversos testes. Entre os mais polêmicos, deixar Cristiane de fora. A seleção começou a ter um padrão definido de jogo, melhorou defensivamente, mas ainda pecava no ataque. Dentro da proposta de renovação, jogadoras jovens foram chegando e os adversários, cada vez mais fortes, mostravam onde estavam os erros. Pia foi ajustando o time até que, no início deste ano, o Brasil conseguiu empatar com a Inglaterra, atual campeã da Eurocopa, na Finalíssima e venceu a Alemanha em amistoso. Os resultados mostraram uma equipe forte e bem treinada, que animou para a Copa do Mundo. Na Austrália, Pia se apoia na união do grupo, na disposição das novatas (11 de 23) e na experiência de Marta para tentar o que parece impossível: o título inédito.

Além de melhorar a seleção dentro de campo, a presença de Pia Sundhage tornou o ambiente muito mais profissional. Pela primeira vez, a delegação brasileira teve um planejamento de viagem para o Mundial. Chegou à Austrália com 20 dias de antecedência para se adaptar ao fuso horário de 13h+, teve voo fretado e traje de viagem, aumentou a delegação com o suporte de ginecologista, psicóloga, nutricionista e demais profissionais, e incluiu folgas na preparação – algo muito comum entre seleções europeias, mas repudiado no Brasil. É possível dizer que a chegada de Pia elevou o profissionalismo na seleção, mesmo ainda tendo muito a melhorar. A projeção da CBF é que o Brasil termine entre as quatro melhores do mundo mas, para a torcida, a expectativa é o título. Será que vem?

Compartilhe esse artigo:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

ARTIGOS RELACIONADOS

Lula ganha vantagem de 6 pontos e venceria Flávio Bolsonaro no 2° turno, diz pesquisa Genial/Quaest

Resumo: Lula da Silva amplia vantagem sobre Jair Bolsonaro na corrida presidencial, segundo a pesquisa Genial/Quaest, com 44% a 38% em cenário de...

Homem tenta invadir estúdio de rádio em shopping na capital baiana e “desafia” Marcelo Castro 

Um homem tentou invadir a área do estúdio da rádio Piatã FM, no Shopping Bela Vista, em Salvador, nesta terça-feira (9). Testemunhas registraram...

Receita Federal apreende quase 1 milhão de camisas piratas de futebol nos últimos três meses antes da Copa

Receita Federal apreendeu 965,5 mil camisas piratas de times de futebol em operações realizadas nos últimos meses, com a demanda crescendo pela proximidade...