Projeto de ressocialização, implantado em Itabuna, disputa prêmio Innovare 2023

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Projeto da Defensoria Pública da Bahia (DP-BA) que busca ressocializar, qualificar profissionalmente e conscientizar sobre direitos está concorrendo ao Prêmio Innovare – Inovação e Justiça, deste ano. Intitulada ‘Informática Livre’, a iniciativa oferece cursos profissionalizantes de informática e educação em direitos a custodiados do complexo penal de Itabuna, no sul do estado.

 

Aprovado para a segunda etapa do prêmio, o projeto foi visitado por um consultor do Innovare, que esteve em Itabuna para conhecer mais detalhes, rotinas e funcionamento. Os defensores Aline Müller e George Araújo, mais o técnico de informática da DP-BA e professor da oficina, Vyctor Andrade, recepcionaram e acompanharam o visitante.

 

O curso tem como diferencial associar conhecimentos técnicos a direitos individuais e sociais, comungando diferentes saberes. Além disso, leva o formato sala de aula para a unidade prisional, oferecendo um espaço equipado com computadores, retroprojetor, mesas e cadeiras. 

 

“O ‘Informática Livre’ é inovador. Confere aprendizado sobre todo o pacote Office, formas seguras de acessar a Internet, a história do computador, além de criar um espaço contínuo de educação em direitos para quem está no cárcere. A oficina também propicia a ampliação do contato entre defensores públicos e pessoas privadas de liberdade para além de um viés processual”, afirmou a coordenadora da regional Itabuna, Aline Müller.

 

Desde a implementação, em 2021, a ação já beneficiou 28 internos. Coautor da iniciativa, o defensor público George Araújo acredita no potencial do projeto em modificar a vida dos reeducandos. “O Informática Livre é um meio efetivo de capacitação profissional, ao mesmo tempo em que contribui para o retorno ao convívio social de pessoas mais conscientes dos seus direitos e deveres. Fico feliz pelo reconhecimento do Innovare, mas o que mais me encanta é utilizar a força da Defensoria para impactar positivamente na vida de pessoas tão estigmatizadas”, comentou.

 

Outro ponto importante do projeto é tornar os internos aptos a trabalharem com as novas tecnologias, considerando o contexto de crescente e intensa informatização. “A maioria dos alunos começa o curso sem saber quase nada de informática. Muitos nunca tiveram contato com um computador. Temos teoria inicialmente, mas a maior parte do projeto são aulas práticas”, explica o professor da oficina, Vyctor Andrade.

 

O curso tem 36 horas de duração, sendo 28 horas de informática – ministradas por técnico da DP-BA – e oito horas de educação em direitos – ofertadas por defensores públicos da 4ª regional. Os concluintes recebem certificação da Escola Superior da Defensoria Pública (Esdep) e podem solicitar abatimento no tempo de pena. Os participantes do ‘Informática Livre’ são selecionados pela equipe de terapeutas, psicólogos e assistentes sociais do conjunto penal. 

 

O Prêmio Innovare, criado em 2004, identifica, divulga e difunde ações desenvolvidas voluntariamente que contribuam para o aprimoramento da Justiça no Brasil. A ideia da premiação é dar visibilidade a práticas inovadoras, que aproximem instituições jurídicas da população.

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